Ipatinga, 27 de Fevereiro de 2021
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“Ajudar é minha realização”, diz cubana

Profissional que vai atender em Marliéria ressalta importância do trabalho em equipe e familiarização com pacientes


MARLIÉRIA, um dos mais tradicionais núcleos habitacionais da região e também um dos primeiros municípios de Minas a ser contemplado pelo “Mais Médicos”. (Foto: Lairto Martins)

A médica cubana Liliana Taño Lazo, que chegou a Marliéria para atuar no programa ‘Mais Médicos’, foi recebida com muito entusiasmo pela comunidade local. Ela concedeu entrevista exclusiva ao jornal VALE DO AÇO nesta quarta-feira (25), enfatizando a formação humanista adquirida na ilha de Fidel Castro e a experiência acumulada em seus 24 anos de exercício da medicina, tendo atuado também na Guatemala (2001 a 2003) e Venezuela (2003 a 2008). Durante a conversa, em todos os momentos ela fez questão de elogiar sua equipe de trabalho e demonstrar a felicidade em poder servir à população de Marliéria, cidade com pouco mais de 4.000 habitantes na região.Na sacada da unidade de saúde da pequena cidade, uma faixa traduz o acolhimento: “Liliana, Marliéria está feliz com sua chegada. Seja bem-vinda!”. Mesmo ainda aguardando o registro do Conselho Regional de Medicina (CRM) que lhe permitirá iniciar o exercício profissional no país, a cubana tem frequentado o local todos os dias para se integrar com os pacientes e demais funcionários. A médica também está visitando as comunidades rurais do município, para conhecer de perto as condições de vida da população.

Liliana já arrisca várias palavras em português e está se empenhando muito para dominar o idioma o mais rapidamente possível, favorecendo sua comunicação com os habitantes locais. Após desembarcar em Recife-PE, integrando a primeira leva de profissionais estrangeiros trazidos ao país, a médica passou por três semanas de intenso treinamento para aprender mais sobre o sistema público de saúde brasileiro.

. Formação humanista

“Em Cuba, estudei medicina sem qualquer gasto, inclusive a bibliografia era disponibilizada de maneira totalmente gratuita. Nós, médicos, lá somos preparados para atender todas as pessoas, em especial aquelas mais necessitadas. Nos formamos com esse princípio de solidariedade, humanidade, internacionalismo e amor ao próximo”, exaltou Taño.

Questionada pela reportagem sobre o perfil do sistema de saúde brasileiro, no qual o aspecto mercantilista influencia muito, com alto consumo de medicamentos e realização de exames, a cubana contrapôs essa visão com a experiência adquirida na ilha caribenha. “Em Cuba a saúde é vista como direito do ser humano, ou seja, é totalmente pública e de pleno acesso a 100% da população. Estimulamos muitos hábitos saudáveis, tais como a prática esportiva, alimentação equilibrada, enfatizando o uso de métodos clínicos e epidemiológicos no enfrentamento das doenças”.

. Proximidade

Outro diferencial, que Liliana pretende aplicar nos três anos de duração do seu contrato no Brasil é a proximidade com os pacientes. “Agrada-me poder ajudar aos mais necessitados. Esta é a maior realização profissional que compreendo ser possível a um médico. O governo cubano nos propõe a oportunidade de participar destas missões voluntárias, e somos nós que aceitamos ou recusamos. Atuei na Guatemala, na Venezuela, e agora muito me agrada ter vido ao Brasil. Sinto-me feliz aqui em Marliéria. Fui muito bem recebida, de maneira calorosa, com muito afeto”, avaliou.

Taño disse que já transmitiu a seus familiares, em Cuba, sua satisfação de estar em Marliéria. “Conversei com meu irmão pela internet. Mandei a ele fotos de Marliéria, da nossa equipe. Contei a ele como aqui é agradável, as pessoas são carinhosas e acolhedoras. Ele também me mandou fotos de Cuba, de nossa gente, que trago sempre no coração onde quer que eu esteja”.

. Entenda como funcionará remuneração dos médicos

Os 400 médicos cubanos que atuarão no Programa Mais Médicos deverão ganhar entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil por mês, conforme informou o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Fernando Menezes. Segundo ele, a variação é baseada em acordos que o governo cubano tem com outros países para onde também foram enviados os profissionais.

Menezes ressaltou que a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), com quem o governo brasileiro assinou um termo de cooperação, é responsável pela intermediação do acordo com o governo cubano. Segundo o Ministério da Saúde, a pasta repassará à Opas R$ 511 milhões até fevereiro de 2014, valor equivalente às condições fixadas pelo edital do Mais Médicos - de R$ 10 mil para cada profissional. Em seguida, a Opas enviará os recursos ao governo cubano, que pagará aos médicos o valor que for definido por critérios próprios.

Os médicos cubanos não estão vindo para o Brasil como pessoas físicas, nem estão desempregados. São servidores públicos do governo de Cuba, trabalham para o Estado e por ele são remunerados. Quando termina a missão no Brasil (ou em qualquer outros dos mais de 60 países em que trabalham), voltam para seus empregos públicos. Há em Cuba uma clara aceitação, pela população, de que os recursos obtidos pela exportação de bens e serviços (entre os quais o turismo e os serviços de educação e saúde) “sejam revertidos a todos, e não a uma minoria”.

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br




 

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