Ipatinga, 26 de Fevereiro de 2021
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Ipatinga dá adeus a mais um pioneiro



Leopoldina Daniel Gonçalves

O Vale do Aço perdeu na última sexta-feira (04), aos 90 anos, uma professora que vivenciou todo seu processo de industrialização e povoamento ocorrido na segunda metade do século XX. Moradora do Bairro Bom Jardim, a professora Leopoldina Daniel Gonçalves - mais conhecida como “Dona Dina” -, se instalou na localidade em 1943, vinda de São Mateus dos Ferros. Na época, a sede administrativa ainda era Coronel Fabriciano e sequer havia se iniciado as obras de construção da Usiminas. Aliás, foi ela a responsável pela formação de muitos dos primeiros operários da siderúrgica.

Por ter sido uma das primeiras a lecionar na região, onde ainda predominava a paisagem rural e mata virgem, Dona Dina contribuiu muito para a alfabetização dos primeiros moradores. Assim, sem a existência de uma escola sequer no Bom Jardim, ela improvisou uma área cedida pelo Sr. Geraldo Damásio para ensinar as crianças da região, onde permaneceu por oito anos exercendo o ofício. Preocupada com o bem-estar das crianças, Dona Dina ocupava seu tempo para providenciar também o registro de nascimento delas, quando a família não tinha condições. Para tanto, sempre buscou mobilizar o apoio de populares e fazendeiros.

Após a chegada da Usiminas e a emancipação do município, foi finalmente construída a primeira unidade de ensino de Ipatinga, a Escola Municipal Estrelinha Azul, no Bairro Bom Jardim, onde ela se tornou uma das primeiras funcionárias, com a curiosa matrícula de nº 02. Trabalhou também nos Correios, onde se aposentou.

EXEMPLO DE RETIDÃO

Um dos filhos de Leopoldina, Elias Anacleto Gonçalves, falou com exclusividade ao jornal VALE DO AÇO sobre o legado moral deixado por sua mãe. “Naquela época vivíamos com muita dificuldade, pois não havia quase nada do que hoje é Ipatinga. Aqui era tudo mata, carvoeira ou canavial. Nem estrada tinha antes da Usiminas. Mamãe foi sempre muito rigorosa, e com isso nos transmitiu uma base muito sólida de retidão e valores morais. Ela mesmo fez questão de iniciar todos os filhos nos estudos”, relatou.

Na época, o exercício do magistério exigia a aprovação em exame público, para o qual havia então poucas pessoas habilitadas. Desta forma, com a chegada de cada vez mais trabalhadores à região acompanhados de suas famílias, coube a Dona Dina se desdobrar na missão de levar o conhecimento a todos.

“Houve um período em que minha mãe deu aula nos três turnos. Esta época marcou a vida de muitos até hoje, minha mãe conquistou com seu trabalho a amizade e reconhecimento de figuras ilustres como os ex-prefeitos Jamill Selim de Sales, João Lamego Netto e Sebastião Quintão. Aliás, a irmã deste último, a diretora escolar Dona Helena, teve uma amizade muito profícua com mamãe e juntas ajudaram a alfabetizar centenas de trabalhadores que fizeram da Usiminas o que ela é hoje”, lembrou Elias.

RECONHECIMENTO

O recém-empossado vereador Juarez Carlos Pires (PT) protocolou na Câmara Municipal de Ipatinga, nesta quarta-feira (09), pedido de Moção de Pesar em função do falecimento de Dona Dina. “Tivemos a oportunidade de conhecê-la e, na condição de parlamentar, cabe propor esta mais do que justa homenagem a uma das mulheres que ajudaram a construir a Ipatinga que conhecemos. Com seu trabalho e dedicação, ela contribuiu para o crescimento de toda a comunidade, não só do Bom Jardim, onde viveu por todos estes anos, mas de todo o Vale do Aço”, salientou o vereador.

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br/novo_site/ler_noticia.php?id=102309




 

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