Ipatinga, 1 de Março de 2021
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De craque dos campos a novo “homem forte” da LDI

- Eleito novo presidente da LDI para o próximo mandato, Roberto Xavier, o Coelhinho, conta sua trajetória como camisa 10 e fala do seu futuro como dirigente


"Coelhinho" foi eleito presidente da LDI no último dia 28

Com orgulho de suas origens, em Conceição de Tronqueiras, distrito de Coroaci, região Leste de Minas, o empresário Roberto Xavier, o Coelhinho, de 46 anos, assumirá, talvez ainda em 2013, a função de presidente da Liga de Desportos de Ipatinga (LDI), após ter sido eleito no último dia 28 e recebido 16 dos 30 votos válidos. A princípio, o mandato do novo “homem forte” do futebol amador ipatinguense compreende o quadriênio 2014-2017.

Dos tempos de meia-armador, Coelhinho guarda na memória os tempos em que foi destaque na região e até no futebol profissional, especialmente fora do país. Considerado por muitos desportistas como um dos dez maiores jogadores de Ipatinga em todos os tempos, o futuro presidente da liga local é o Personagem da Semana.

Na entrevista exclusiva ao jornal VALE DO AÇO, Coelhinho, hoje jogando entre veteranos, relembra seu início no futebol ipatinguense, mais precisamente no bairro Vila Ipanema, além de sua exibição de gala no fim dos anos 1980 no Ipatingão, diante de craques como Bebeto, Romário e Renato Gaúcho, que lhe rendeu um convite para defender o Vasco da Gama; seu gol inesquecível; os tempos em que atuou por Social e clubes da América do Norte; e até sobre a origem do seu apelido.

JVA – Por que o apelido “Coelhinho”?

Coelhinho – Surgiu na infância, ainda no Vila Ipanema. Meu amigo Nicolau era o cara que colocava apelido em todo mundo. Depois da minha primeira pelada na quadra do Sesi, todos ficaram curiosos em saber quem era aquele garoto que apareceu do nada, entrou na pelada e o time dele venceu oito partidas seguidas. Me refiro àquelas famosas peladas de quatro times, dez minutos ou dois gols. Meu primo tinha o apelido de “Coelho” e, eu, tinha três dias que estava morando com a minha Tia Celina na Vila Ipanema. Aí, ficou “Coelhinho”. Tenho as marcas desse “batismo” até hoje.

JVA – Como surgiu o seu interesse pelo futebol?

Coelhinho – Desde que me entendo por gente, quando ainda morava em Governador Valadares. Meu apelido era “Roberto Batata”, já que muitos diziam que eu era tão bom como quanto o ex-cruzeirense.

JVA – Relembre seus melhores momentos jogando futebol amador na região.

Coelhinho – São muitos, desde a época de Vila Ipanema até hoje. Mas o jogo que ficou na minha memória e na memória de muitos torcedores foi diante da seleção carioca, no Ipatingão, em 1987. Esse nosso adversário era a base da Seleção Brasileira, e tinha jogadores como o goleiro Zé Carlos, o zagueiro Aldair, o lateral esquerdo Leonardo, os meias Andrade, Zinho e Geovane, e os atacantes Bebeto, Romário e Renato Gaúcho. Fiz um partidão. Na ocasião, cheguei a ser convidado pelo então árbitro, José Roberto Wright, que havia apitado aquele amistoso, para ir para o Rio de Janeiro com ele, mais precisamente para o Vasco da Gama. Na época, eu não quis arriscar, já que havia apenas um ano que a Aciaria havia arrumado emprego para mim na Usiminas. Não me arrependo dessa decisão, não.

JVA – Ainda sobre os tempos de jogador, quais eram as suas principais características em campo?

Coelhinho – Visão de jogo, habilidade e velocidade. Usei essas habilidades em função das equipes em que atuei. Tenho um marco, sou “camisa 10 das antigas”, por isso, sempre fiz todo centroavante que jogou comigo, artilheiro.

JVA – Relembre sua melhor atuação em uma partida e um gol inesquecível.

Coelhinho – Difícil apontar uma única partida, já que, como armador que sempre fui, tinha papel decisivo em todos os jogos. Nos clássicos contra Usipa, Jabaquara, Ideal e Iguaçu, que eram os grandes clubes da década de 1980, eu sempre me destacava, devido aos lances de gol que eram sempre criados por mim. Sobre o gol inesquecível, me lembro de um que marquei diante da Usipa, aos 42 minutos do segundo tempo. Com esse gol, acabamos sendo campeões pela Aciaria.

JVA – E a sua relação com o futebol profissional?

Coelhinho – No Brasil, joguei pelo Social em 1991, no Campeonato Mineiro da Segunda Divisão. Eu fiz parte daquele time que inaugurou a iluminação do Estádio Luisão, em Coronel Fabriciano, em um amistoso contra o Vasco da Gama, que tinha jogadores como o meia William e os atacantes Bebeto e Sorato. Vencemos aquele confronto por 1 a 0, com gol do atacante Zé Carlos, após eu driblar o zagueiro Alexandre Torres – filho do ex-lateral da Seleção em 1970, Carlos Alberto Torres – e rolar para ele marcar. Nesse jogo, acabei expulso, juntamente com o volante vascaíno Luisinho Quintanilha, ex-Botafogo. Depois desse período, joguei no Matsubara/PR e no Inhumas/GO em 1992. Aí, resolvi voltar para o exterior, já que, em 1988, fui morar nos Estados Unidos, onde permaneci por um ano antes de ser convidado a me transferir para o Canadá. Lá, disputei o campeonato canadense Indoor, bastante popular no Hemisfério Norte. Nessa participação, fui artilheiro e permaneci naquele país, após ter sido comprado pelo First Portuguese, equipe da primeira divisão do Canadá. Eu ainda levei dois companheiros meus para lá, no caso o goleiro Lulinha e o centroavante Vaguinho, que estão por lá até hoje.

JVA – Se você tivesse que criar uma lista com os dez maiores jogadores do futebol amador de Ipatinga em todos os tempos, em que colocação você entraria?

Coelhinho – Aí, você me aperta (risos). Prefiro ficar com a opinião dos que me viram jogar nos bons tempos. Eles afirmam que estou, sim, entre os dez melhores. Esse reconhecimento é digno de honra para mim, que tenho muitos de quem sou fã.

JVA – Você ainda disputa competições regionais?

Coelhinho – Joguei pela categoria amador até 43 anos. Agora, só atuo com os veteranos, a partir de 45 anos.

JVA – Comente sua trajetória como comentarista esportivo.

Coelhinho – Fui convidado pelo meu amigo Jésus Galego, do jornal Resenha, a escrever uma coluna sobre futebol em todos os níveis, ou seja, categoria de base, amador e até profissional. Parece que os leitores gostaram da maneira com que eu vejo futebol, das minhas opiniões. Então, passei a ser convidado a comentar para as emissoras de rádio locais antes de aceitar o convite da TV Cultura.

JVA – Você iniciará em breve a carreira como dirigente, já que foi eleito no último dia 28 como o próximo presidente da LDI. Por que essa nova escolha?

Coelhinho – Na verdade, fui convidado por um grupo de dirigentes da LDI, em acordo com vários presidentes de clubes do município. Meu nome foi colocado à disposição e prontamente aceito.

JVA – Na sua avaliação, porque a maioria dos clubes optou pela sua candidatura?

Coelhinho – Penso que o fato de eu ter sido indicado pelo ex-presidente da Liga, Adiel Oliveira, e ter como vice o Lúcio Guedes foram os fatores preponderantes. Reconheço também o trabalho e o empenho de todos os componentes da nossa chapa.

JVA – Como será o seu trabalho à frente da LDI?

Coelhinho – Tentaremos, de todas as maneiras, dar continuidade ao que já tem sido feito pela entidade.

JVA – Quais os pontos que precisam ser tratados como prioridades hoje no futebol amador ipatinguense?

Coelhinho – Teremos que trabalhar muito nas categorias de base do futebol amador ipatinguense.

JVA – Existe a possibilidade de você e a sua diretoria assumirem a presidência da Liga Ipatinguense ainda este ano?

Coelhinho – Creio que sim. Esse foi um dos motivos pelo qual a eleição foi antecipada para o último dia 28.

JVA – O que o futebol amador de Ipatinga tem de mais especial?

Coelhinho – O envolvimento e a dedicação contínua da comunidade de Ipatinga.

JVA – Que mensagem você deixa aos desportistas do futebol amador ipatinguense?

Coelhinho – Fica aqui o meu agradecimento pela confiança em mim depositada. Procurarei dar continuidade ao processo de engrandecimento da Liga de Desportos de Ipatinga.

Foto: Fernando Silva

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br/novo_site/ler_noticia.php?id=102727




 

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