Ipatinga, 17 de Janeiro de 2020
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Hasta siempre, Cuba!

- Líder petista do Vale do Aço relata encontro com Lula e outras aventuras vividas na ilha de Fidel, defendendo visão oposta à da blogueira cubana Yoani Sánchez


JARDEL EXIBE uma nota de peso cubano que traz o rosto de Ernesto Guevara, o Che

passagem da blogueira cubana Yoani Sánchez pelo Brasil, na última semana, reacendeu no país a histórica discussão sobre a legitimidade do regime implantado na ilha por Fidel Castro e Ernesto Guevara, o Che, em meados do século XX. O médico veterinário e presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em Coronel Fabriciano, Jardel Lopes, regressou de uma temporada em Cuba, onde participou da XXª Brigada Sul-Americana de Solidariedade, coordenada pelo ICAP (Instituto Cubano de Amizade com os Povos) e destinada a representantes de vários países interessados em ampliar a compreensão da realidade local. O líder petista, que também integra a comissão de anistia do estado de Minas Gerais, lembra que já havia estado no país nos anos 70, mas pouco recorda desta primeira passagem, em meio ao contexto político de ditadura no Brasil e Guerra Fria no mundo.

A vigésima edição da Brigada Sul-Americana de Solidariedade reuniu centenas de lideranças de esquerda de toda a América Latina, entre as quais o ex-presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva. Jardel diz que sua viagem foi custeada com recursos próprios e enfatiza: “Já conhecia Lula há bastante tempo, viajamos juntos pelo interior de Minas Gerais nas chamadas "Caravanas da Cidadania", quando percorremos especialmente o Vale do Jequitinhonha. Mas esse reencontro foi muito especial, pelo simbolismo de Cuba e o orgulho que nos dá em ver que hoje Lula tem um prestígio internacional imenso. Uma honra fazer parte dessa história, junto dos companheiros do PT”, exaltou.

. VIRTUOSISMO

Jardel relatou que apesar de ser um fórum essencialmente político, o evento proporcionou experiências inenarráveis como, por exemplo, vivenciar o cotidiano do povo cubano no campo. “Acordávamos por volta das 5h e, após tomar um banho frio no acampamento, íamos diretamente para o campo trabalhar na lavoura. Chamou minha atenção uma médica cubana que fazia parte de nosso grupo, pela habilidade que demostrou ao lidar com mudas de laranjeira, cheias de espinhos, sem importar-se sequer com os ferimentos nas mãos. Em Cuba, independentemente da profissão, todos ajudam a produzir o sustento para o povo e cada um contribui conforme suas possibilidades”, destacou.

A respeito do estilo de vida presenciado na ilha em dias atuais, o petista destacou o espírito de solidariedade cubano e o respeito que os cidadãos da ilha têm por seus heróis nacionais. “Seis palavras-chaves marcam o modo de vida em Cuba e resumem os princípios de seu povo: Amor; Sinceridade; Honestidade; Firmeza, Virtude e Heroísmo”, resumiu.

Outro aspecto que chamou a atenção do veterinário foi a espontaneidade com que os cubanos contribuem para o governo e defendem as políticas públicas implementadas no país. Ele conheceu um pequeno proprietário rural que compartilha com alegria 50% de sua produção leiteira com o governo, mesmo sem haver fiscalização oficial. Questionado sobre o retorno de tal atitude, talvez impensável atualmente nos padrões brasileiros, o camponês sentenciou: “Sou um simples produtor rural, mas minha filha formou-se engenheira agrícola”.

.CDR

O principal fator de sucesso que permitiu a longevidade do sistema político cubano é conhecido como CDR, sigla para “Comitê de Defesa da Revolução”. Em cada rua ou grupo de habitantes, seja na cidade ou no campo, há um conselho de moradores que se reúne periodicamente para tratar questões de interesse comum e definir os rumos da política. “Quando perguntei, por exemplo, se por lá havia dengue, me responderam que sim. Há alguns anos tinham ouvido o relato de um caso na cidade vizinha de onde eu estava. Ao relatar que em Coronel Fabriciano é comum registrarmos até 800 casos em um único ano, me disseram que o próprio CDR fiscaliza ações de prevenção”.

Jardel também pode acompanhar o processo eleitoral cubano, que também parte dos CDR"s, para a escolha dos congressistas que representam o povo do país. “Apesar de lá o voto não ser obrigatório, houve um comparecimento fenomenal, superior a 90%, mostrando mais uma vez o compromisso que os cubanos têm com sua nação. A campanha eleitoral lá é completamente diferente, sem o marketing a que estamos habituados no Brasil. Os candidatos são apresentados por uma ficha em papel A4, onde consta uma foto e um breve currículo. A democracia em Cuba é espetacular”, exaltou o petista.

.Moeda conversível

Outro fato que chamou a atenção de Jardel foi a questão da moeda. Há cédulas de Peso específicas para transações entre o próprio povo de Cuba, cujo valor monetário é ínfimo em relação ao dólar ou o real. Contudo, para todas as pessoas que vão ao país a moeda circulante é o Peso Conversível, muito mais valorizado. As cédulas de três Pesos têm a figura de Che Guevara impressa. O veterinário diz que achou um pouco confuso o sistema, sem compreender bem como ele se aplica, ao que um companheiro nativo lhe assegurou: “Não se preocupe, nós os cubanos, entendemos muito bem como funciona”.

A Brigada Sul-Americana não se confunde com outras modalidades de turismo econômico, tendo como objetivo integrar os brigadistas no trabalho de solidariedade das associações ou movimentos que lutam contra o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, defendendo a soberania e autodeterminação de Cuba.

Foto: Lairto Martins

Fonte: http://www.jvaonline.com.br/novo_site/ler_noticia.php?id=103137


 

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