Ipatinga, 16 de Junho de 2019
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Pela segunda vez, fumaça negra sai do Vaticano e anuncia que novo papa ainda não foi eleito

- Conclave segue sem definição e novo sinal será emitido na tarde desta quarta-feira


Às 11h47 no horário local, a fumaça foi vista saindo do Vaticano

Pela segunda vez, fumaça negra saiu pela chaminé montada na Capela Sistina, anunciando que os 115 cardeais que fazem parte do conclave ainda não chegaram a um consenso sobre o sucessor de Bento XVI.

A fumaça saiu às 11h40 no horário local (7h40 em Brasília). Assim como aconteceu nesta terça-feira, uma multidão enfrenta chuva para acompanhar o conclave na Praça de São Pedro, no Vaticano.

No segundo dia do conclave, estão previstas quatro votações e a fumaça poderá ser vista em dois momentos. Diferentemente do que ocorreu nesta terça-feira (12), não há missas nem cerimônias. Por volta das 18h (14h de Brasília) , um novo sinal de fumaça deverá ser emitido pelos religiosos.

Sem um favorito claro, analistas citam vários nomes, como o italiano Angelo Scola, o brasileiro Odilo Scherer, o canadense Marc Ouellet e o americano Timothy Dolan.

Mas também apontam que se o conclave levar mais tempo do que o estimado, existe a possibilidade de que algum nome que não figurou entre os favoritos acabe como o eleito, lembrando o ditado de Roma: "quem entra Papa no conclave sai cardeal".

O cálculo dos vaticanistas é que o conclave dure, no mínimo, três dias e, no máximo, 11. Nos últimos 100 anos, no entanto, nenhum conclave superou cinco dias. Há oito anos, Bento XVI, que renunciou inesperadamente em 28 de fevereiro por "falta de forças", foi eleito no segundo dia, após quatro votações.

Para a obtenção da cor branca ou escura da fumaça, vista na Praça de São Pedro, símbolo da decisão dos cardeais, é adicionada à queima das cédulas de papel um produto químico. A fumaça pode ser vista da chaminé da capela, por cerca de cinco minutos.

- Escolha do papa é apenas um dos desafios dos cardeais

Oito anos após os cardeais do mundo inteiro terem se fechado na Capela Sistina para escolher um novo papa que pudesse continuar a tendência tradicionalista de seu antecessor, a escolha para suceder o Papa Bento XVI não parece clara. Os 115 cardeais que começarão a votar nesta terça-feira o farão com uma corrente de prioridades, considerações geográficas e posições doutrinárias em suas mentes. Ao escolher o novo papa, esses cardeais estarão em busca de um candidato que possa se mostrar sensível aos muçulmanos, que tenha habilidade de comunicação, e capacidade para governar pelos interesses do catolicismo na Europa e América do Norte.

A pergunta que predomina é como a igreja governa, particularmente a Cúria romana, assuntos importantes da agenda após meses de turbulências, incluindo o vazamento embaraçoso do escândalo que expôs o desperdício e as lutas internas dentro do Vaticano.

"Existe um divisor entre os cardeais que trabalham fora de Roma e os que trabalham na Cúria", revelou na segunda-feira o reverendo Thomas Reese, analista de assuntos católicos. "É preciso haver uma administração geral da Igreja para colocar as coisas em ordem", reiterou o cardeal aposentado Edward Egan, em entrevista recente. Ele salientou que durante os últimos 50 anos a organização central do Vaticano se ampliou muito, ficou ineficiente e perdeu o foco sobre o que acontecia nas paróquias locais.

Os desafios enfrentados pelos 1,2 bilhão de membros da Igreja, entretanto, estão bem além de Roma. Durante os últimos 50 anos, nove papas negligenciaram a evolução da igreja além da segura posição na Europa e América do Norte para aumentar sua representação na África e na América Latina.

Analistas, incluindo o padre Reese, disseram que isso levou ao estabelecimento de vários grupos entre os cardeais que nem sempre ficaram apenas entre as fronteiras geográficas. Cardeais da América Latina, por exemplo, estão unidos em torno do sentimento de que são mal representados em Roma, mas continuam discordando de muitos outros assuntos. Os 11 cardeais da América do Norte, por outro lado, formam um grupo relativamente coeso, enquanto os 28 italianos estão divididos entre facções.




 

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