Ipatinga, 17 de Janeiro de 2020
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Filhos separados encontram a mãe depois de 47 anos

- Maria Estevão deixou suas quatro crianças com familiares e partiu para a capital para tentar ganhar a vida; irmãos se reencontraram e foram atrás da mãe


Após longa espera, Maria Estevão viu reunidos seus filhos (Crédito: Gizelle Ferreira)

Uma história triste com um final feliz. Foi o que a vida reservou para quatro irmãos que foram separados quando ainda eram crianças. Além de conseguirem se reencontrar, os irmãos ainda localizaram a mãe que os abandonou há 47 anos, na localidade de Peixes, distrito do município de Ferros, e foi embora. Maria Estevão de Sá, hoje com 74 anos, reside em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na semana passada, ela teve a surpresa de rever os filhos.

A história é permeada de idas e vindas, separações, sofrimento e dor. Sebastiana Nunes de Sá, 56 anos, Sebastião Bernadete Nunes, 55 anos, Geraldo Francisco Nunes, 54 anos e Nilma Priscila Nunes, de 50 anos, foram separados quando ainda eram pequenos. As crianças tinham entre 3 e 10 anos de idade. A mãe alegou que não tinha condições financeiras para cuidar dos filhos, deixou-os com parentes e foi embora para a capital. Os irmãos Nilma e Geraldo ficaram com os avós maternos, Sebastião foi entregue a uma tia e Sebastiana ficou sob cuidados de uma madrinha por um ano, quando então foi morar com a avó.

Sebastiana se emociona ao contar a história. Segundo ela, após a avó morrer, ela foi jogada nas ruas quanto tinha 13 anos de idade, pela nova esposa do avô. “Nessa época eu passei fome, dormia nas ruas. Trabalhava na casa das pessoas para conseguir comer e foi assim que eu vim para Coronel Fabriciano. Com 17 anos eu já morava de aluguel e fui construindo uma casa no Caladinho de Cima”, relatou.

Nesta época, Sebastiana tinha apenas um desejo: reencontrar os irmãos. Durante vários anos achou que deveria encontrar primeiramente a mãe, mas, com o passar dos anos, começou a orar e pedir a Deus que a ajudasse encontrar algum de seus familiares. “Foi então que um dia eu vi o irmão da mulher do meu avô no ônibus e entreguei a ele meu endereço. Como meu irmão Geraldo tinha ficado com meu avô, achei que poderiam dizer onde eu estava”, contou.

E assim foi. Sebastiana reencontrou os irmãos Geraldo e Sebastião, que já com 13 e 14 anos trabalhavam em uma empreiteira da Vale do Rio Doce e moravam em um alojamento no bairro Manoel Maia. “Quando fiquei sabendo que ela estava me procurando, eu disse: então a gente vai procurar”, disse Geraldo, que não contava apenas com um detalhe: Sebastiana havia mudado o nome de registro. Tirou da certidão o nome Maria Perpétua, que teria sido escolhido pela mãe. “Mas quando a gente se reencontrou ela nos explicou que havia mudado de nome antes de completar 18 anos porque não gostava no nome escolhido pela nossa mãe. E desde então, eu ela e Sebastião passamos a morar juntos”, relata.

CAÇULA

Mas para completar o elo, os irmãos precisavam encontrar a irmã caçula, Nilma Priscila. De todos foi a que demorou mais a ser localizada pelos três. Nilma contou à reportagem que desde que a mãe a abandonou passou por cinco famílias. E não se esquece do dia em que pela última vez mamou no seio da mãe. “Aí ela chegou na casa dos meus avós em Ferros, lavou as mãos e disse: Ah! Pai, vou deixar os meninos aí com vocês, e foi embora. Até meus 12 anos passei por cinco famílias, até que vim parar em uma casa de uma família no bairro Santa Mônica, em Ipatinga”, detalhou.

Certo dia, Nilma viajou para Joanésia, quando lá encontrou um parente de uma das famílias pela qual havia passado. Eles disseram que os irmãos a procuravam. “Eu fiquei 10 anos sem ver meus irmãos. Passando de família em família. Quando fiquei sabendo que eles estavam morando no Caladinho, larguei minha patroa e fui morar com eles”, contou.

A MÃE

A história de separação dos quatro irmãos poderia ter tido outro desfecho, mas terminou com um final feliz. Depois de 47 anos, os filhos conseguiram rever a mãe. Um dos filhos de Sebastiana, estudante de Direito, conseguiu localizar o endereço da avó em Contagem, e na semana passada, Maria Estevão de Sá, 74 anos, recebeu a visita dos quatro filhos abandonados.

Nenhum dos irmãos diz guardar qualquer ressentimento da mãe.

Ao chegar em Contagem, viram que realmente o passado havia ficado para trás. “A gente tinha tudo para virar um marginal, bandido, e todos somos cidadãos de bem. Mas eu acho que Deus está nesta história. E eu tenho muita felicidade em saber que minha mãe está viva e com saúde. O que passou, passou. Se ela precisar morar comigo hoje, eu a aceitaria com amor e cuidaria dela até o final da vida dela”, afirmou Geraldo.

Maria Estevão, depois de deixar os filhos no interior de Minas, mudou-se para a Região Metropolitana de BH, casou-se novamente e teve outros quatro filhos. Ao conhecer os novos irmãos, Sebastiana, Nilma, Geraldo e Sebastião souberam que a mãe sempre viveu com a culpa de tê-los abandonado. “No dia do encontro eu perguntei tudo pra ela e ela pediu para que a gente não ficasse com raiva dela não e disse que o sonho dela era ver todos juntos de novo. Eu não tenho qualquer tipo de ressentimento da minha mãe”, finalizou Sebastiana.

A vida se encarregou de juntar os quatro irmãos, separados quando crianças

Fonte: http://www.diariopopularmg.com.br


 

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