Ipatinga, 25 de Janeiro de 2020
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A ferrovia e a economia à base do carvão vegetal

A estação da Pedra Mole construída às margens do Rio Piracicaba era o principal meio de transporte para as primeiras famílias que chegaram à cidade


Os primeiros operários que trabalhavam no povoado tiveram que vencer a densa Mata Atlântica e a presença dos índios botocudos

A ocupação das terras do Vale do Aço aconteceu a partir da construção da ferrovia Vitória-Minas, sendo as primeiras habitações construídas próximas da estação da Pedra Mole, às margens do Rio Piracicaba.

Em agosto de 1922, iniciou-se a construção da Estação Ferroviária no Km 457 da ferrovia, nas proximidades do encontro dos rios Doce e Piracicaba.

Os vestígios dessa primeira estação ainda existem nas imediações do bairro Castelo. A estação de Pedra Mole da Estrada de Ferro Vitória a Minas foi inaugurada em 1922. A linha férrea era imprescindível para a logística da jazida de minério-de-ferro existente no Pico do Cauê até as usinas siderúrgicas: a Belgo-Mineira, em João Monlevade, a Acesita

– Aços Especiais Itabira, em Timóteo e a Usiminas, em Ipatinga.

Os operários que trabalhavam na construção da ferrovia tiveram que vencer a densa Mata Atlântica e a presença dos índios botocudos. Só que mesmo antes da construção da ferrovia já havia moradores em algumas áreas rurais, especialmente na região do Barra Alegre.

Os primeiros moradores da região dedicavam-se às atividades extrativas, para a obtenção de carvão vegetal, um importante combustível utilizado pelas siderúrgicas da região.

A Companhia Belgo-Mineira organizou a exploração de carvão vegetal na região em 1936 depois de comprar terras de Alberto Giovannini. A empresa montou um acampamento e uma escola primária onde hoje se localiza o Centro de Ipatinga.

Em 12 de dezembro de 1953, Ipatinga foi elevada à condição de Distrito, pela Lei nº 1.039. O lugarejo possuía um pequeno núcleo urbano composto por cerca de 40 residências e cerca de 300 moradores apenas, e não possuía infraestrutura de água, de esgotos, de transportes, para receber milhares de moradores. Em tempos de chuva, ficava tudo alagado.

PRIMEIRO MORADOR

O desbravador José Fabrício Gomes foi a primeira pessoa nascida em Barra Alegre, na década de 30. Após explorar as terras recém descobertas, ele cedeu a posse para José Cândido de Meira, que instalou um grande serviço de extração de madeira.

Para diversificar a economia local, pouco tempo depois Alberto Giovannini investiu na formação de uma fazenda de criação de gado e no cultivo da lavoura. Com a instalação das indústrias siderúrgicas a atividade extrativista passou a ser a principal fonte de renda das famílias instaladas no distrito de Barra Alegre.

No final da década de 50, Ipatinga não era mais que um povoado com cerca de 60 casas e 300 habitantes. Não havia qualquer infraestrutura, as ruas eram de terra, a luz, a motor, e a água, eram fornecidas em lombos de burros ou carros.

EMANCIPAÇÃO

O decreto lei de desmembramento foi assinado em 29 de abril de 1964.

A descrição da cidade, segundo Pedro Linhares

O pioneiro Pedro Linhares registrou, no inicio da década de 60, sua percepção sobre a evolução habitacional e territorial da cidade. Ele era detentor de várias áreas que acabaram loteadas em Ipatinga após a instalação da Usiminas.

“No início só existiam os bairros Bom Jardim e Canaã. O acesso para o Canaã era pela estrada de Salto Grande, que passava no pontilhão de ferro e subia a rampa do Veneza, que tinha uma baixada, hoje aterrada. Havia uma ponte na Rua do Buraco que foi levada por uma enchente em 1961 ou 1962”, comentou.

Ele contou que com a ajuda do também fazendeiro Jair Gonçalves foi possível fazer a ligação entre o Centro e a área do bairro Canaã. “Perto do atual bairro Caçula havia uma ponte de madeira. Demos o serviço de mão de obra. Fizemos um convênio com a Prefeitura de Coronel Fabriciano, que daria o cimento e a pedra, e a Usiminas, daria a terraplanagem e as manilhas. Assim, fizemos a passagem no bueiro do Iguaçu, onde é a ponte hoje, e fizemos outro bueiro no córrego do Canaã. A passagem para a Cidade Nobre foi o Darcy de Souza Lima quem fez, em 1971”, registrou Linhares.

Fonte: http://www.diariopopularmg.com.br


 

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