Ipatinga, 16 de Junho de 2019
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Comunidades terapêuticas são aliadas contra drogas

Mesmo com apoio de igrejas e associações filantrópicas, oferta de vagas para tratamento de dependentes químicos é insuficiente perante a demanda


Em meio à natureza, algumas comunidades terapêuticas oferecem ao residente o apoio e tranquilidade necessários para superar o vício

O público é heterogêneo: podem ser jovens de classe média alta quanto moradores da periferia, adultos que já tiveram êxito profissional ou ex-presidiários. De semelhança, talvez somente o desejo de abandonar o vício das drogas, sendo o crack a mais devastadora entre elas. Em Ipatinga, comunidades terapêuticas mantidas com a ajuda de voluntários, igrejas e associações filantrópicas ainda são insuficientes para atender a uma demanda cada vez maior de dependentes químicos, mas apesar das dificuldades, prestam relevante contribuição social.

Esse trabalho ficou ainda mais difícil com a suspensão de repasses da prefeitura em 2012, que fez com que algumas entidades chegassem a fechar as portas, como foi o caso da Missão Resgate, pioneira no segmento, focada no atendimento a adolescentes. Com a retomada do convênio, ela se propõe a novamente dar sua contribuição social à cidade. Outra perspectiva positiva é a intenção dos governos estadual e federal em injetarem mais recursos na área, abrindo possibilidade para maior número de vagas.

No momento, a oferta de vagas é dividida entre aqueles cuja família pode ajudar no custeio, aqueles com subsídio de recursos públicos e, ainda, os que estão internados unicamente devido ao apoio de igrejas ou doações de pessoas físicas.

. O TRATAMENTO

Conforme o pastor Nelci Leocádio de Souza, um dos coordenadores da comunidade Beth Shalom, administrada pela Associação Beneficente Águas Novas, o processo de recuperação depende muito do próprio residente. “Aqui ninguém permanece obrigado. É uma decisão pessoal. A pessoa chega com a vida completamente destruída, por isso damos muita ênfase à disciplina, organização e companheirismo. O momento é de reconstruir internamente aquilo que foi devastado pelo vício, por isso é de grande importância a reflexão espiritual”, detalhou.

Na comunidade, situada na região do Ipanemão, distrito de Barra Alegre, zona Rural de Ipatinga, em média 20 pessoas são atendidas, mas levando em consideração também outras duas unidades da entidade (no alto do Esperança e numa fazenda na região de Iapu), até 34 pessoas por vez são beneficiadas. “Manter essa obra é uma luta muito grande, mas quando vemos a recuperação de uma pessoa, não há nada no mundo que seja mais gratificante. Com tantas dificuldades que enfrentamos, principalmente quando a prefeitura suspendeu os repasses, a certeza que fica é que Deus provê. Ele sempre encontra meios, onde suspeitamos ser impossível”, opinou o ministro evangélico.

Os residentes têm uma rotina permeada por afazeres, atividades físicas, terapias de grupo e momentos de espiritualidade. No seu todo, as instalações contam com academia de musculação, campo de futebol, piscina, horta, oficinas, refeitório, lavanderia e alojamento, entre outras dependências. O custo da recuperação de cada interno fica por volta de R$ 1,2 mil por mês, mas apenas parte disso é subsidiado por convênios. Em geral, paga-se um salário mínimo. Como nem todas as famílias podem contribuir para a manutenção do espaço, doações da comunidade são sempre bem recebidas.

. RECUPERAÇÃO DE MENORES

Já a entidade Missão Resgate não é oficialmente vinculada a igreja, mas recebe diversos apoios de segmentos organizados da sociedade. A instituição se dedica a recuperar menores da dependência química provocada pelas drogas e existe há 24 anos. “Somos a única comunidade terapêutica a atender esse público em Ipatinga. Talvez por esta razão tenhamos uma demanda muito grande. Nossa capacidade é para 20 internos, mas temos uma lista de espera, já que há uma rotatividade muito grande. Infelizmente, em parte se deve a desistências, já que ninguém é obrigado a prosseguir no tratamento”, detalhou o secretário executivo Flávio Elias de Azeredo.

Assim como aconteceu com outras entidades assistenciais em Ipatinga, a suspensão dos repasses vindos da prefeitura dificultou muito a manutenção das atividades. No segundo semestre de 2012, o trabalho ficou limitado temporariamente ao acompanhamento, encaminhamento e ações preventivas. “Mantemos uma equipe multidisciplinar, com educadores, psicólogos, entre outros profissionais, além dos voluntários que nos ajudam. Nossos custos também envolvem a manutenção do espaço e atividades que desenvolvemos com nosso público em recuperação. Por isso é importante a regularidade de convênios com o poder público para que essas ações não sejam prejudicadas”, explicou Flávio.

Além da comunidade terapêutica, que fica logo no início da estrada para o Clube Parque das Cachoeiras, a Missão Resgate mantém um escritório de triagem e encaminhamento situado na rua Miguel Ângelo, 142, bairro Cidade Nobre, ocupando salas da igreja Presbiteriana. O telefone para contato é 3822-6464.

Fonte:http://www.jornalvaledoaco.com.br


 

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