Ipatinga, 7 de Dezembro de 2019
NOTÍCIAS

Senhora completa 101 anos com muita disposição



Dona Maria é independente, ativa, alegre, lúcida e possui uma boa memória que dá à ela a capacidade de se lembrar e rir das dificuldades do passado

Com uma disposição de fazer inveja a muitos jovens, Dona Maria José Bicalho, que completou 101 anos de vida no início deste mês, dia 05 de junho, esbanja saúde. A moradora do bairro Amaro Lanari, em Coronel Fabriciano, é independente, ativa, alegre, lúcida e possui uma boa memória que dá à ela a capacidade de se lembrar e rir das dificuldades do passado.

Nascida no dia 05 de junho de 1912 em Santana dos Ferros, Dona Maria José mudou-se para o Vale do Aço há 58 anos na companhia do marido e dos 10 filhos. “Naquela época nós morávamos nos terrenos de um rico fazendeiro, para quem meu pai trabalhava. Mas ele determinou que meu pai saísse das terras, foi então que viemos para cá”, explicou uma das filhas de Maria José, Lourdes Bicalho Pinto, de 62 anos.

A primeira morada da família foi na região onde hoje está situada a cidade de Timóteo. “Nós vivemos no Ana Moura numa época em que não tinha nada naquele local. Havia apenas a pedreira e a Acesita estava em seu início”, contou Lourdes.

Quando chegou à região, Dona Maria José seguiu a mesma rotina que mantinha em sua terra natal, onde além de cuidar da casa, trabalhava fora lavando roupas para contribuir com as despesas do dia a dia. “Eu continuei lavando roupa e também trabalhei em casas de família”, explicou a centenária. Naquela época os filhos de Dona Maria estavam com idade entre seis e 14 anos. “Os mais velhos ajudavam no trabalho e saíam para estudar, e os mais novos ficavam em casa enquanto eu saía para trabalhar fora, pois eu não tinha quem cuidasse deles”, lembrou.

De acordo com a filha, a mudança não foi fácil para a mãe. “Ela sofreu muito quando chegou aqui porque vivia com muita fartura em Santana dos Ferros, e não havia praticamente nada no Vale do Aço naquela época. Nós vivemos numa casa de tábuas no Ana Moura e só melhoramos de situação quando nos mudamos para Fabriciano e meus irmãos mais velhos conseguiram emprego”, salientou Lourdes.

Apesar das dificuldades lembradas pela filha, Dona Maria disse que encarou com otimismo a nova cidade. “Achei bem melhor quando cheguei aqui, porque eu morava num lugar muito à toa, numa roça que não tinha nem estrada direito”.

Depois de três anos vivendo em Timóteo, o marido de Dona Maria comprou uma casa em Coronel Fabriciano, no bairro São Geraldo. “Meu pai faleceu há 20 anos, vítima de câncer. E desde então minha mãe morava no São Geraldo com outros filhos. Mas há três anos ela decidiu vir morar comigo”, explicou a filha que vive no bairro Amaro Lanari. “Eu escolhi morar aqui porque a Lourdes é a mais paciente comigo”, garantiu a centenária.

. Vivacidade

Depois de muito trabalho em sua terra natal e das dificuldades enfrentadas com a mudança para uma nova cidade com dez filhos para educar, Dona Maria acredita que os dias de hoje não são os melhores porque ela não pode mais trabalhar. “Hoje eu não aguento mais sair para trabalhar e ganhar o meu dinheiro, então acho que antes era melhor”, contou a senhora. “Ela sempre nos diz que para quem tem Deus todas as épocas são boas”, ponderou a filha. “Minha mãe é uma pessoa muito sofrida, ela teve uma filha assassinada e viu dois netos morrerem em acidentes de trânsito. Ela sempre diz que não se desesperou porque tem Deus em sua vida. Ela é muito religiosa e isso ajudou a passar por todos estes problemas”.

Dona Maria José leva uma vida ativa. Frequenta a igreja todos os dias, visita os amigos, caminha sem auxílio, toma banho sozinha e ainda faz as tarefas de casa. “Ela não dorme durante o dia e não pára na frente da televisão. Quando chego em casa ela já está com o almoço adiantado e se eu deixar ela lava as roupas”, lembrou a filha, contando que a mãe tem uma ótima saúde. “Minha filha trabalha na Enfermagem do Unileste e se diverte quando vai medir a pressão dela, dizendo que a pressão da avó está melhor que a dela”, contou Lourdes, ressaltando que Dona Maria José não faz uso de medicamentos e não tem nenhum problema de saúde. “Ela apenas não ouve muito bem e não se lembra com detalhes de histórias muito antigas”.

. Segredo para chega aos 101 anos

Questionada sobre o que teria feito com que ela chegasse aos 101 anos com uma saúde tão sólida, Dona Maria José diz que só está tão bem por conta do trabalho. “Minha saúde é boa porque eu me movimento o dia inteiro. Fiz isso minha vida toda. Cuidei de dez filhos pequenos sem a ajuda de ninguém enquanto trabalhava fora. Hoje minha médica diz que eu tenho que andar devagar e não caçar serviço, mas eu não aceito isso, eu quero trabalhar para ficar mais forte”, garantiu a centenária. “Eu fui criada no trabalho, então tenho que continuar enquanto puder. Quando eu fico parada eu fico pior”.

A moradora do Amaro Lanari disse ainda que nunca imaginou passar dos 100 anos. “Nunca pensei nisso porque eu sofri muito nessa vida. Ganhei todos os meus filhos em casa sem a ajuda de um médico. E a cada ano eu tinha um filho. Hoje, quando penso nisso, acho que foi uma loucura”, brincou Dona Maria.

A centenária ainda afirmou que não é fácil encontrar alguém com sua disposição. “Essas meninas de hoje são muito preguiçosas, enquanto eu nunca consegui ficar à toa na minha vida”.

A filha de Dona Maria também lembrou que a mãe não tem grandes restrições alimentares. “Ela come o que encontra. Ela gosta muito de frutas, doces e iogurtes. Ela apenas não janta, pois tem medo de sofrer um derrame. Por isso ela costuma comer um pastel ou tomar uma xícara de leite ou uma lata de refrigerante à noite”, pontuou Lourdes. “O médico me proibiu de comer carne vermelha, então como eu gosto mais de carne de galinha, como frango todos os dias. A única coisa que não como mais é feijão”, disse Dona Maria.

. Festa

Hoje a grande família de Dona Maria José é formada por nove filhos, 35 netos, 34 bisnetos e quatro tataranetos que estão espalhados por Ipatinga, Coronel Fabriciano, Sete Lagoas, Abre Campos, Curitiba/PR, Vitória/ES e Estados Unidos. Neste ano a família não promoveu uma grande festa por questão de logística. “Minha casa está em reformas e por isso não deu para organizar uma confraternização. Até porque é difícil reunir todo mundo”, explicou Lourdes, contando que houve uma festa especial no ano passado, quando Dona Maria completou 100 anos. “Fizemos uma grande festa que contou até com uma missa especial”.

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br


 

Copyright © 2012 Todos os Direitos Reservado - www.euamoipatinga.com.br
Eu Amo Ipatinga - E-mall : contato@euamoipatinga.com.br