Ipatinga, 27 de Fevereiro de 2021
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Igreja São José pode perder características originais

Projeto arquitetônico deve ser apresentado em 90 dias e obra já está autorizada


Prédio ainda não é tombado, mas prefeitura pretende concluir o processo

Ao longo de mais de 50 anos, ela sobreviveu às mudanças e modernizações do centro comercial e se destaca por suas características antigas, remetendo às origens do município. A comunidade católica de Timóteo ainda não bateu o martelo, mas a possibilidade de modificações em sua estrutura divide opiniões nas ruas do município e nas redes sociais.

Popularmente conhecida como Igrejinha da Praça, a Paróquia São José Operário pode ser reformada e ampliada para comportar o grande número de fieis que disputam espaço nas missas dominicais.

O pároco da Paróquia São José, Pascifal José, explica que ainda não há nada definido, mas existe uma discussão da necessidade de uma reforma na igreja. “Essa discussão acontece porque o número de católicos que frequenta a igreja é muito grande e o espaço não comporta; também não há acesso adequado para deficientes físicos ou visuais”, argumenta.

Conforme o sacerdote, a igreja comporta no máximo 300 pessoas sentadas e o número de frequência aos domingos é em média de 1.500 pessoas. “As pessoas têm que ficar do lado de fora e nós temos que colocar bancos e cadeiras, mas o pior não é esse transtorno, mas a segurança do povo”, explica.

Pascifal José lembra que, quando começa a chover, os fiéis que estão do lado de fora “se espremem” no interior do templo, causando transtornos e riscos para idosos, crianças e deficientes. “Tem uma série de problemas que podem acarretar em uma tragédia para os próprios fiéis e não podemos continuar funcionando desse jeito. Essa igreja também não foi feita para a liturgia própria da Igreja Católica, para celebrações de batizados, casamentos ou o momento da comunhão”, ressaltou.

O padre relembra que, em certa ocasião, quando começou a chover e a igreja ficou superlotada, um idoso passou mal e não houve como socorrê-lo. “Então, quem que se responsabiliza por isso? Essa é a grande pergunta, a pessoa que está lá nas redes sociais sendo contra, ela se responsabiliza por incidente como esse?”, indagou.

Para definir e iniciar um estudo para o projeto de reforma da igreja, a paróquia montou um conselho com cerca de 100 representantes de todos os bairros da paróquia São José. “De todos os representantes apenas dois foram contrários e mais de 90 foram a favor de que o padre apresentasse um projeto de reforma. Então, na verdade o que estou fazendo é isso”, pontua.

. Histórica

Ainda não há muitas definições sobre como ficará a estrutura ou a fachada da igreja. Para o padre Pascifal José, a questão da característica histórica do templo não deve ser um empecilho para o desenvolvimento da reforma. “A história é um processo dinâmico, nunca é algo estático, parado, a exemplo da própria cidade”, citou. Com isso, Pascifal José não confirma se a mudança irá preservar a fachada original da igreja de São José. “Ela (a característica histórica) é fundamental desde que não ponha em risco a vida das pessoas. Então, vão permanecer as mesmas características da igreja? Eu não sei se vai, porque se for continuar com as mesmas características, nós vamos continuar com os mesmos problemas”, salientou.

O religioso, no entanto, explica que a proposta feita para o arquiteto responsável é preservar a fachada ou deixar com características mais parecidas, porém, as laterais e o interior não seriam os mesmos. Após a conclusão do projeto, previsto para 90 dias, padre Pascifal pretende apresentar a proposta à comunidade por meio de um telão, em evento público.

. Protestos

Mesmo ainda não confirmada ou detalhada, a reforma ou alteração da estrutura da igreja São José já virou polêmica nas redes sociais e tema de reivindicação para manifestantes, durante o protesto realizado no município, no dia 22 de junho. O aposentado Jésus Ferraz Barbosa conta que a igreja, construída em 1950, foi o centro de todas as atividades do município, além de ser um símbolo das lutas do falecido padre Abdala Jorge. “O padre quer derrubar a igreja para construir uma nova. A gente não é contra a modernidade, só queremos preservar o nosso patrimônio e ele não conhece a nossa tradição de luta”, argumentou.

Antes de pensar na ampliação, a paróquia discutiu a alternativa da igreja do Timirim, conhecida como Matriz de São José, porém, o seu espaço também não comporta os fiéis e o número de veículos no estacionamento. Por isso, também há um projeto de reforma do estacionamento. A questão da acessibilidade de deficientes e para moradores de bairros distantes é outro problema apontado pelo padre Pascifal, em relação à igreja do Timirim.

. Enquete

A reportagem do DIÁRIO DO AÇO perguntou a alguns timoteenses se eles concordam com a proposta de reforma e ampliação da igreja.

- Para padre Pascifal, característica histórica é importante desde que não represente riscos.

- “Eu participei da votação do conselho e votei pela expansão da igreja. Foi contratado um arquiteto para isso e ele não vai mexer na fachada, só expandir”. Sebastião Antônio de Oliveira, 65, aposentado, Funcionários.

- “Concordo principalmente porque, em dias de chuva, não cabem as pessoas ali dentro. Mesmo sendo patrimônio histórico não tem outro jeito”. Neide Martins da Silva, 44, autônoma, Primavera.

- “A questão histórica é bem complicada, mas se for para melhoria e mais conforto da igreja, respeitando a história, eu concordo com a reforma”. José Teixeira da Silva, 52, aposentado, Eldorado.

- “Nós estamos precisando de espaço, faz falta um acolhimento na igreja. O padre Abdala amava essa igreja, mas temos que ter nova vida e expandir”. Glicéria Silva Teixeira, 65, aposentada, Timirim.

- “Eu concordo com o padre porque, se estão querendo aumentar é porque há necessidade. Então, é preciso ser feito para o bem do corpo da igreja”. Amantino de Souza Freitas, 56, aposentado, São José.

- “Eu vou dar cem contos para essa reforma e no 13º posso dar mais porque eu quero essa reforma e aqueles que não querem é porque não são católicos”. Alberquino Sabino de Lima, 82, aposentado, Santa Maria.

Repórter : Silvia Miranda

Fonte: http://www.diariodoaco.com.br/


 

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