Ipatinga, 27 de Fevereiro de 2021
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O melhor amigo dos bichos



Franklin Oliveira, de 45 anos, é um dos raros exemplos de quem doa grande parte de sua existência em prol da causa animal

Muita gente simpatiza ou ajuda animais em situação de risco, mas poucas dedicam a vida a essa luta. O belo-horizontino Franklin Oliveira, de 45 anos, é um dos raros exemplos de quem doa grande parte de sua existência em prol da causa animal. Em 33 anos como ativista, o técnico acumula uma longa lista de cachorros, cavalos, gatos, aves e até animais de circo auxiliados e é um dos pioneiros na defesa dos animais na capital mineira.

Nas palavras dele, é um trabalho de amor e loucura. Atualmente, ele tem uma “casa-abrigo” - chamada carinhosamente de Neverland - na Pampulha, onde mora com 78 animais resgatados das ruas. Os bichinhos – em sua maioria cães e gatos – são levados mensalmente para uma feira de adoção, onde candidatos a papais e mamães têm a oportunidade de escolher um amiguinho para levar para casa.

O amor e dedicação é tamanho, que Franklin ganhou o apelido de “Assis”, em referência ao santo caridoso São Francisco de Assis. A seriedade também é total. Tanto que ele faz questão de pedir que cada pessoa interessada em adotar assine um termo de responsabilidade ao levar um animal.

As pessoas também têm que comprovar que têm condição financeira de cuidar dos bichos. “Animal dá trabalho e gasta dinheiro”, lembra. Ele que o diga. Todos os resgatados são vermifugados, vacinados e tratados de qualquer enfermidade. “Já tive conta de mais de R$22 mil em veterinários”, diz. Só de alimentação são gastos 25 quilos diariamente e 600 quilos por mês.

Imagina como isso pesa no bolso e na cabeça? “Eu já tive muitos momentos de repensar. Eu poderia ter feito muita coisa da minha vida, comprado casa, carro. Mas fui usando meus recursos em nome da causa. Já fui ameaçado de morte por comerciantes de animais, promotores de rodeios e de brigas de galo. É uma parada dura”, confessa. No entanto, não é arrependimento o que fica de maior dessa história para ele. Pelo contrário, a certeza de ter ajudado esses seres sem voz é gratificante o bastante para ele. E é no olhar carinhoso, de quem ama sem interesse, que ele encontra conforto. “Não sei se minha existência valeu de alguma coisa, mas se valeu foi pelos animais”, completa.

A paixão por animais veio de família, mas o despertar para a luta começou no final da adolescência. Franklin conta ter passado por uma manifestação em 1982, na Avenida Paraná, de criadores de aves contestando o preço de venda dos animais. “Eles queimaram pintinhos vivos no meio da manifestação e aquilo me tocou demais. Era pouco antes da quaresma e eu prometi que não comeria carne no período. Isso tem 32 anos e ainda não como carne”, relata.

Foi na Sociedade Protetora dos Animais de Belo Horizonte onde ele começou o trabalho de ativista, limpando canis e contribuindo com dinheiro para comprar ração. O tempo passou e lá ele foi diretor, fiscal e presidente. Depois da experiência, Franklin fundou, há 10 anos, o Núcleo de Defesa Animal, que esse ano pretende transformar em Ong.

Apesar de defensor e de resgatar animais em risco, sua postura é bem diferente dos chamados "colecionistas". Para ele, "amar" os bichos não basta. Animais precisam de uma família capaz de prover o que eles precisam para viver bem. “Combatemos a ideia de pessoas que saem recolhendo animais pelas ruas. Já vimos casos de pessoas que tinham vários cachorros em casa, mas que deixavam eles sem comida por dias porque não tinham dinheiro para ração”, ressalta.

A sugestão é que ninguém extrapole o que dá conta de cuidar. “Apesar de que acho que extrapolei um pouco a minha cota”, brinca. Mas a população de 78 bichinhos deve diminuir em breve. Dia 5 de outubro acontece a próxima feira de adoção. O paizão confessa que mesmo com a satisfação de conseguir casas para eles, é nesse momento da partida em que ele sofre mais. “Meu coração fica espremidinho do tamanho de um ervilha”, conta.

Apaixonado pela vida, em animais e seres humanos, Franklin defende e sonha com um mundo em que os homens respeitem outras espécies. Ele, inclusive, cita o filósofo e matemático grego Pitágoras, que diz: "Enquanto o homem destruir impiedosamente os seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz".

Desempregado e com gastos grandes, Franklin conta com a ajuda de veterinários e doações. Quem se interessar em ajudar no trabalho pode entrar em contato com ele pelo email nucleofauna@yahoo.com.br ou pelo telefone 9676-0099.

Fonte: http://www.dzai.com.br


 

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