Ipatinga, 15 de Outubro de 2018
PERSONAGENS

HEVERT REVÉTRIA TEIXEIRA "Teco"

- Músico e cruzeirense declarado, radialista esportivo da Educadora enaltece oportunidade recebida na mídia eletrônica


A cobertura do clássico entre Atlético e Cruzeiro na última rodada do Brasileirão de 2012 é citada por Teco Teixeira como sua transmissão inesquecível

Sem medo de falar o que pensa, o repórter, produtor e apresentador esportivo da Rádio Educadora, Hevert Revétria Teixeira, ou apenas Teco Teixeira, descobriu na música, ainda criança, seu poder de comunicação.

Declaradamente torcedor do Cruzeiro, ele ingressou definitivamente na mídia radiofônica em 2011, após alguns trabalhos esporádicos no meio dois anos antes. O ‘Repórter Multimídia’, como ficou conhecido em razão de sua versatilidade, produz diariamente o programa ‘Educadora Esportes’, apresentado por ele, e participa da atração ‘Bola na Rede’, da qual também é produtor, além de atuar como repórter nas jornadas esportivas da emissora fabricianense. ‘Personagem da Semana’, Teco Teixeira afirma ser mais um apaixonado pelo rádio, onde se destaca por suas emissões diretas, especialmente durante as entrevistas coletivas.

O radialista também defende que o jornalista esportivo divulgue o clube de sua preferência, compara os dois maiores jogadores da atualidade com nomes da música, volta no tempo para explicar a origem do seu nome e demonstra gratidão com a oportunidade de atuar na imprensa esportiva.

JVA – Comente a sua relação com o rádio esportivo?

Teco Teixeira – Sempre fui um apaixonado pelo rádio. Quando criança, andava vendo as pessoas mais velhas com radinhos nos ouvidos e estranhava, não entendia. Depois, com o tempo, quando comecei a perceber a magia que é o radio, passei a escutá-lo constantemente. Isso se deu quando eu tinha 14 anos. Na minha casa, durante os jogos, era a imagem da TV associada ao som do radio. Meus irmãos sempre me chamaram de “doido”, não viam sentido. Mais tarde, eles entenderiam que era uma paixão. Hoje, esse problema é com a minha esposa. Ela vê que o som da TV fica off e, diante disso, se o jogo estiver passando na televisão do quarto, ela corre para lá (risos). Sempre tive vontade de trabalhar em uma emissora de rádio. Inicialmente, eu pensava ter começado tarde, mas hoje, vejo que Deus tem sempre um tempo para tudo, e como sou temente a ele, respeito sua vontade e, mesmo começando com uma idade mais avançada, estou feliz com o meu trabalho.

JVA – Você concorda com a ideia de que o profissional de imprensa esportiva possa revelar o clube pelo qual torce?

Teco Teixeira – Acho uma grande bobagem esse tipo de segredo que alguns profissionais de imprensa esportiva insistem em manter sobre os times pelos quais torcem. Me parece um pouco incoerente por parte de alguns colegas que alegam não torcerem para clube algum. Dizem apenas torcer para a Seleção Brasileira. Acho isso muito complicado. Quando você escolhe uma profissão, tem algo que te puxa para o ramo no qual você está se definindo. No caso de quem trabalha na cobertura de futebol, essa pessoa normalmente é atraída por torcer por algum time, daí vem o interesse em atuar no meio esportivo. Hoje, imagino que mais ninguém deixe de ouvir ou prestigiar um profissional de imprensa esportiva que torça para o time A ou B. Claro, desde quando esse profissional não permita que sua paixão por esse clube fale mais alto que a razão. Por exemplo, mesmo se eu quisesse esconder, não teria jeito. Quem me conhece sabe que sou cruzeirense, mas quando estou trabalhando, dou minhas opiniões de forma isenta. Quem me acompanha sabe disso. Tenho um respeito muito grande por parte dos atleticanos. Vou mencionar uma frase que não é minha, porém, com a qual concordo plenamente, de que “o profissional de imprensa esportiva que esconde o time de sua preferência, profissionalmente, pode esconder coisa muito pior”.

JVA – O seu nome é Hevert Revétria Teixeira. Conte-nos a história da escolha desse nome.

Teco Teixeira – Na verdade, isso foi arrumação do meu pai, já falecido. O ex-atacante uruguaio Hebert Carlos Revétria foi o grande protagonista daquela final que entrou para historia do Campeonato Mineiro, em 1977. Naquela época, ninguém conhecia ou tinha ouvido falar em Revetria. Ele entrou em campo com a camisa do Cruzeiro e, nos três jogos finais diante do Atlético, arrebentou. No ultimo clássico, realizado no dia 9 de outubro daquele ano, o Revetria, que já tinha brilhado nos dois primeiros duelos, entrou e ajudou o Cruzeiro a ganhar o titulo em cima do Atlético, que tinha um timaço. Em 1977, todo mundo já dava o Galo como campeão estadual, porém, o uruguaio mudou a história. Meu pai, cruzeirense fanático, comemorou duas vezes naquele dia, o título e o meu nascimento. Na mesma hora ele gritou: “Meu filho vai se chamar Revétria”, daí o nome.

JVA – Por causa do seu nome, a diretoria do Cruzeiro o chamou para uma homenagem ao ex-atacante Revétria em 2005, no Mineirão. Relembre esse fato.

Teco Teixeira – É verdade. Foi um dia inesquecível. Naquela final de 2005, o Cruzeiro acabou perdendo o título mineiro para o Ipatinga. Mesmo assim, eu fiquei muito feliz. A diretoria do Cruzeiro ficou sabendo da minha história por meio do jornalista João Vitor Xavier, da Rádio Itatiaia, que entrou em contato comigo e me disse que o Revetria viria a BH para ser homenageado. Na ocasião, ele queria me apresentar e contar minha história ao uruguaio. Imediatamente aceitei. Fui à Belo Horizonte, almocei com o Revetria na Toca da Raposa II, lembrei do meu pai e me emocionei. Realmente, foi um dia marcante para mim.

JVA – Por que você utiliza ‘Teco’ e não, ‘Revétria’?

Teco Teixeira - Desde bebê, meus pais me chamam de Teco. Fui crescendo e me acostumei. Acho que, para a música, com a qual eu também trabalho, seria mais fácil de combinar, mas tem muita gente que me chama pelo nome.

JVA – Qual a importância da Rádio Educadora na sua trajetória como profissional de imprensa esportiva?

Teco Teixeira – Minha história com a Rádio Educadora não teve início por meio do esporte. Comecei cantando aos nove anos de idade naquela emissora, que é pioneira aqui na nossa região. A maior parte dos profissionais do rádio do Vale do Aço começou lá. O tempo passou e, por meio do convite de um dos melhores comunicadores do rádio e grande amigo, Ananias Júnior, tive a oportunidade de ingressar na Educadora em 2011 e, definitivamente, na imprensa esportiva. Minha gratidão ao Ananias é pelo resto da vida. Depois de Deus, foi ele quem abriu as portas do rádio para mim. Entrei na Educadora e, até quando os ouvintes e os diretores me aguentarem, ficarei por lá.

JVA – Para 2013, a emissora onde você trabalha anuncia uma grande cobertura no que diz respeito ao futebol. Comente.

Teco Teixeira – A Rádio Educadora, por meio do nosso competente diretor, Padre Vanderley Santos Souza, e de toda a equipe, anuncia, realmente, uma programação intensa, dando total cobertura ao futebol amador e, principalmente, Social, Cruzeiro e Atlético. Essa é a intenção da emissora, que ainda tem como projeto a cobertura da Copa das Confederações deste ano e da Copa do Mundo de 2014. Mas vamos devagar, com muita humildade, simplicidade, ao mesmo tempo, com muito esforço e, claro, respeitando sempre o nosso ouvinte. Assim sendo, a gente chega lá. Em tempo, não posso deixar de citar o narrador esportivo e apresentador, José Marcelo Ângelo Filho, o Garotinho, a quem tanto escutei no radio quando criança. Hoje, tenho o prazer de trabalhar ao seu lado.

JVA – Como repórter esportivo de rádio, qual foi a sua transmissão inesquecível?

Teco Teixeira – Foi recente, na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, quando o Atlético derrotou o Cruzeiro por 3 a 2, no Independência, e se tornou vice-campeão nacional, naquela que foi uma das melhores partidas da competição. Houve uma outra transmissão em que participei, num sábado de 2009, no Mineirão, ao lado de dois grandes amigos. Foi marcante, não apenas pela transmissão, mas por tudo o que envolveu aquele dia, como a viagem e até mesmo o fato de o narrador em questão afirmar que precisava retornar ao Vale do Aço imediatamente porque seria gandula em um jogo no bairro dele na manhã seguinte. Também foi inesquecível.

JVA – Como repórter, você se caracteriza por ser bastante direto em suas perguntas durante as entrevistas coletivas, diferentemente de muitos outros profissionais sem a devida personalidade. Por que você assumiu essa postura?

Teco Teixeira – Eu penso em fazer a pergunta que o torcedor faria ao entrevistado naquele momento, caso tivesse a oportunidade. Claro, o faço em uma linguagem respeitosa. Penso que há muitos colegas que perguntam aos jogadores e, principalmente, aos treinadores o que eles querem responder. Eu procuro perguntar o que o ouvinte realmente quer saber, se o entrevistado vai gostar ou não, o problema é dele. O meu compromisso é sempre com o ouvinte. Me lembro de um jogo em que o Cruzeiro perdeu para o Figueirense por 4 a 2 no Ipatingão, em 2011. Questionei o então técnico celeste, Joel Santana, sobre a preferência dele pelo Marquinhos Paraná entre os titulares ao invés do Leandro Guerreiro, que ficou no banco de reservas naquele jogo. Ele então me deu uma má resposta e disse que sabia o que estava fazendo. No outro dia, o Joel Santana “caiu”. Atualmente, “onde está” o Marquinhos Paraná? Sei que o mesmo Leandro Guerreiro se firmou como titular no meio-campo do Cruzeiro.

JVA – Você também é músico. De acordo com a sua visão sobre futebol, se você tivesse que comparar Messi e Cristiano Ronaldo com atrações da música mundial, com quais cantores ou bandas você os compararia?

Teco Teixeira – Eu falo que tenho a alegria de viver na época em que o Messi está jogando. Além do futebol, o seu comportamento é exemplar, ele é completo. Penso que, se a Argentina vencer a Copa do Mundo aqui no Brasil, o Messi, com certeza, vai ofuscar o Maradona, até porque, o craque da Copa de 1986 foi grande apenas dentro de campo. Fora das quatro linhas, não é exemplo para ninguém. Já o Cristiano Ronaldo, a meu ver, é um grande jogador. O Messi seria um “Jon Bon Jovi” e o Cristiano Ronaldo, “Agepê”.

JVA – Cite alguns profissionais da imprensa esportiva nacional que você mais admira.

Teco Teixeira – Por incrível que pareça, tenho algumas coisas do comentarista Neto, falo o que penso. Eu gostava muito do saudoso Osvaldo Faria, da Itatiaia, e gosto do trabalho do Mauro Beting, Paulo Vinicius Coelho, o PVC; Osvaldo Pascoal, da Rádio Globo; José Luiz Datena e Jorge Kajuru. Admiro esses e outros profissionais cujos nomes agora não me veem à cabeça.

JVA – Você pretende criar algum bordão que o caracterize no momento de suas descrições durante as transmissões esportivas?

Teco Teixeira – Sim, pretendo. Estou ansioso por esse momento. Acredito que a criação de um bordão tem algo em comum com o ato de escrever uma música, ou seja, requer inspiração. Em breve terei um bordão bem legal.

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br




 

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