Ipatinga, 24 de Maio de 2018
PERSONAGENS

JOÃO PEDRO DA SILVEIRA "Pedrinho"

Paixão socialina que vem de berço. Torcedor, ex-atleta e atualmente diretor de futebol, João Pedro da Silveira, o Pedrinho, afirma que sua identificação com o Social Futebol Clube começou por meio do pai e ex-jogador Joãozito


Além de filho de ex-atleta e torcedor, Pedrinho chegou a atuar pelo Social como jogador das categorias amadoras antes de ser dirigente do clube

Assim como o clube pelo qual aprendeu a torcer e amar, João Pedro da Silveira, o "Pedrinho", nasceu em Coronel Fabriciano no mês de outubro. Sua identificação com o Saci vai além da coincidência das datas. Foi por meio de seu pai, o ex-jogador da década de 1950, Joãozito, que o atual diretor de futebol socialino chegou ao clube, onde se tornaria atleta das divisões amadoras e dirigente.

Pedrinho conhece cada palmo do chão do Estádio Louis Ensch, campo do Social, e, assim como todo bom socialino, também tem os fundilhos de suas calças polidos pelas arquibancadas do Luisão.

Personagem da Semana, o dirigente alvinegro relembra os momentos marcantes, tristes e felizes, vivenciados por ele no clube. Os acessos à divisão de elite, as dificuldades financeiras, o acidente com o ônibus da delegação em Araxá, fato que o imobilizou durante um ano, as voltas por cima, no campo e fora dele.

Pedrinho também aponta seus maiores jogadores com a camisa do Saci, assegura que o atual time socialino entrará no Módulo II deste ano como um dos favoritos e manda recado à torcida: “O torcedor pode ter a certeza que o nosso time é qualificado e formado por jovens valores que querem vencer na profissão...”

JVA – Relembre e comente o início de sua relação com o Social FC?

Pedrinho – Tudo começou com o meu pai, João Rodrigues da Silveira, o Joãozito. Ele veio para Coronel Fabriciano na década de 1950. Meu pai era jogador profissional, atuava pelo Villa Nova de Nova Lima. Ele então foi convidado para jogar no Social. Meu pai já tinha aqui na cidade alguns conhecidos que jogaram com ele em Nova Lima, casos do Dirceu e do Agostinho. O prefeito da época em Fabriciano, Raimundo Alves, convidou meu pai para jogar no Saci. Aqui, na cidade de Coronel Fabriciano, eu nasci. Joguei nas escolinhas do clube, demais categorias de base, equipe de juniores e até no amador do Social. Foi pelo meu pai que cheguei e me identifiquei com o clube.

JVA – Como foi sua iniciação como dirigente do Saci?

Pedrinho – Foi na época do então presidente Adílio Coelho. Eu militava vendendo cadeiras cativas no clube e ajudava o Adílio na época. Surgiram oportunidades dentro do clube, fui aprendendo a lidar com os jogadores, fazendo serviços de federação. Chegou uma época em que eu acabei efetivado nessa função.

JVA – Relembre os momentos ou temporadas mais felizes que você vivenciou no Social.

Pedrinho – Foram vários momentos felizes aqui no Social. Em 2002, conseguimos o acesso com o Social do Módulo II para a divisão de elite do futebol mineiro. Tínhamos, na ocasião, um elenco muito reduzido. Obtivemos o acesso para a primeira divisão de 2003. O nosso time daquela época era muito qualificado. O nosso elenco tinha jogadores como o volante Dênis, que hoje é auxiliar técnico, o atacante Ditinho, o atual treinador da equipe, o Roberto Carlos, que chegou a dirigir equipe naquele ano, o lateral esquerdo Raniery, o atacante Washington “Ensaboado”, enfim, vários jogadores de muita qualidade. Em 2007 também conseguimos o acesso para a temporada seguinte por meio de uma brilhante campanha. Em 1997, quando daquela bela campanha semifinalista do Social logo em seu primeiro ano na elite do futebol mineiro, fazendo belos jogos contra Cruzeiro e Atlético. Nesse ano, 1997, fizemos dois grandes jogos contra o Villa Nova de Nova Lima. Perdemos o primeiro confronto no Alçapão do Bonfim por 2 a 0 e empatamos o segundo jogo em casa, 2 a 2, resultado que nos tirou da final contra o Cruzeiro. Esses momentos foram os que mais me marcaram aqui no Social Futebol Clube.

JVA – E quais os momentos mais difíceis vividos por você no clube fabricianense?

Pedrinho – Entre os momentos mais difíceis, eu cito o primeiro rebaixamento do Social em 1999, o acidente que aconteceu com a gente, no ônibus da equipe, em 2005. Especificamente nessa ocasião, o time liderava o Hexagonal Final do Módulo II. Nós então sofremos esse acidente em Araxá, quando íamos enfrentar o Uberlândia. Esse foi um momento muito difícil para a gente. Por conta desse acidente, fiquei praticamente um ano sem andar. Outro momento que me entristeceu muito foi o licenciamento do Social em 2010, tendo o clube ficado sem disputar competições oficiais organizadas pela Federação Mineira de Futebol (FMF).

JVA – Destaque um jogo do Saci que mais te marcou.

Pedrinho – O jogo que mais me marcou aqui no Social foi pelo Módulo II de 2007, na rodada final contra a URT, aqui no Luisão. Nós vencemos aquele jogo por 1 a 0, gol do atacante Mazinho aos 43 minutos do segundo tempo. O clube passava por uma situação financeira muito crítica naquela época, já que aquela competição foi longa, com duração de oito meses, e todos sabem das dificuldades para os clubes do interior quando eles disputam campeonatos extensos como foi esse. Tivemos vários salários atrasados, mas, graças a Deus, nos classificamos inicialmente para o Hexagonal Final, onde chegamos a ficar na lanterna, e, a partir do jogo contra o Valério, em Itabira, iniciamos a nossa arrancada, depois vencemos o Uberlândia no Triângulo e, em seguida, partimos para o título. Nesse jogo contra a URT, precisávamos da vitória, fizemos esse gol quase no fim com o Mazinho e conquistamos também o acesso, além do título do Módulo II. Nesse dia, eu cheguei a ser carregado pela torcida e por alguns dirigentes.

JVA – Quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos dirigentes de equipes como o Social?

Pedrinho – Primeiramente, é o dinheiro. A falta dele. Todos sabem que o futebol se faz com dinheiro. Sem dinheiro, você não monta uma equipe qualificada, uma equipe que brigue por grandes títulos. É complicado. A gente então procura superar isso por meio do nosso conhecimento, por meio de contatos. Muitas vezes, é bom que se diga, nem sempre uma folha salarial alta representará a conquista de grandes resultados. Mas a chance de dar errado, com dinheiro em caixa, é menor. O torcedor pode não saber, mas durante a disputa de um campeonato estadual, uma saída de uma delegação, por exemplo, de Coronel Fabriciano para jogar em Poços de Caldas, não fica por menos de R$ 14 mil. No futebol, o dinheiro, de fato, é tudo, mas a gente também tem que suprir a falta de dinheiro com a criatividade e com o conhecimento do mercado, procurando atletas mais jovens e que queiram vencer na carreira.

JVA – Quais os critérios usados por você, enquanto dirigente do Social, para avaliar e contratar jogadores e técnicos para o clube fabricianense?

Pedrinho – Procuro olhar, primeiramente, a situação financeira do clube no momento. Há jogadores de diversos valores. A gente procura montar equipes dentro da realidade financeira do clube e olhando também o grau de comprometimento dos jogadores. Mesmo assim, somos surpreendidos algumas vezes, por confiarmos em alguns atletas. Antes da assinatura do contrato, o comportamento do jogador é um, depois do contrato assinado e pronto, esse mesmo jogador já tem a segurança de uma indenização caso o clube rescinda esse vínculo de forma unilateral, aí já muda o comportamento. Em relação à escolha dos treinadores, a gente também procura observar o perfil de cada um e a capacidade. Graças a Deus, mesmo com alguns erros de avaliação, a gente tem acertado muito mais do que errado. A gente sempre procura fazer sempre o melhor para o clube.

JVA – Para o Módulo II deste ano, é correto apontar o Social como um dos favoritos ao acesso?

Pedrinho – Único favorito, eu não digo, mas o Social será, sim, um dos candidatos ao acesso. O trabalho aqui no clube é sério, é bem feito, conseguimos montar um elenco qualificado, com jogadores, na sua maioria, jovens, porém, experientes, rodados. Tem outros fortes candidatos ao acesso dentro do Módulo II deste ano, mas o torcedor socialino pode ter certeza que a nossa equipe entrará na disputa em condição de igualdade com esses outros favoritos. O Social é uma equipe de tradição, de 1944, tem sua história, tem seu patrimônio, é respeitado. Algumas pessoas não sabem da grandeza do Social, mas o clube é muito respeitado em Minas Gerais. E isso pesa muito na disputa de um campeonato como o Módulo II.

JVA – Cite alguns dos maiores jogadores da história do Saci que você viu jogar.

Pedrinho – Nos tempos de torcedor da equipe amadora socialina, antes de ser dirigente, eu saía de casa aos domingos, após o almoço, para ver alguns grandes jogadores do Social, como o volante Pitoca, que ainda mora em Fabriciano, e os meias Conrado e Israel. Já no profissional, eu aponto o meia Renatinho, o saudoso lateral esquerdo Serginho, o meia Jakson, e o atacante Washington “Ensaboado”. Esses foram alguns dos jogadores que fizeram a diferença por muitos anos aqui no Social, e eu tive o prazer de acompanhá-los. Eles deram muita alegria ao torcedor socialino ao longo dos anos.

JVA – Que mensagem você deixa ao torcedor socialino às vésperas da estreia da equipe no Módulo II do Campeonato Mineiro?

Pedrinho – Digo ao torcedor socialino que ele pode ter certeza de que o que está sendo feito aqui no clube é de coração, com dedicação, garra e honestidade. Não montamos a equipe há dez, 12, 15 dias. Já estávamos montando esse time há dois meses, trabalhando incansavelmente. Procuramos trazer jogadores que, certamente, honrarão a camisa do Social e terão todo o comprometimento com a nossa cidade e com o clube. O torcedor pode ter a certeza de que o nosso time é qualificado e formado por jovens valores que querem vencer na profissão. Com isso, eles, atletas, passam uma confiança muito grande para nós, do clube, de que vão fazer uma grande campanha aqui no Saci.

Repórter: Fernando Silva

Foto: Breno Mendes

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br




 

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