Ipatinga, 2 de Março de 2021
PERSONAGENS

ZEZA AVELINO SOUTO



Zeza Avelino Souto foi homenageado emprestando seu nome a Estação Memória "Zeza Souto".

Nasceu em Braúna de Guanhães - MG, em fevereiro de 1926. Sr. Zeza chegou a Ipatinga ainda menino, em 1936, três décadas antes da emancipação, e viu a cidade nascer. Zeza conviveu com outros importantes personagens da história local como João Valentim Pascoal e João Napoleão da Cruz, que foi seu patrão enquanto trabalhava em sua carvoaria.

Sr. Zeza casou-se com Izaura Maria Lima da qual tiveram 21 filhos. Os deveres como trabalhador, ele ainda teve tempo e disposição para exercer grande presença junto à comunidade. Carismático, Zeza desempenhava trabalhos voluntários e se tornou conhecido por ajudar as pessoas a tirarem carteira de identidade. Mas foi pela Companhia Vale do Rio Doce que Zeza se aposentou. Ele, aliás, foi o primeiro bilheteiro da CVRD, em Ipatinga, quando a estação local ainda era a de Pedra Mole, entre os bairros Castelo e Cariru.

Zeza Avelino Souto, faleceu em 2007 aos 81 anos, vítima de um infarto fulminante. De acordo com um de seus filhos, o radialista Joel Avelino Souto, de 40 anos, ele estava bem de saúde e em seu histórico médico não constam problemas cardíacos. Seu corpo foi velado na capela central e sepultado no Cemitério Senhora da Paz, em Ipatinga. Zeza foi homenageado emprestando seu nome a Estação Memória "Zeza Souto". Sr. Zeza foi também homenageado, através do projeto de Resolução nº 12/05 em 2005, o título de "Cidadao Honorário" de Ipatinga, que na verdade ele não chegou a receber o prêmio tão merecido, por causa de seu falecimento.

"Aqui, tinha muito serviço. Era muito pesado, mas eu aguentava enfrentar. Vim cortar lenha na carvoeira do João Napoleão. Trabalhei na estação, aqui no Centro, colocando dormentes nas linhas". Zeza conta sobre os jequitibás “de quatro metros de diâmetro”: Para traçar este jequitibá tinha que ser um grupião ou então um traçador com três metros e quarenta centímetros de comprimento, para ter condições de correr 20 cm de cada lado. A madeira tinha que cair certinha, para não prender o grupião, e tinha que gastar duas cunhas para soltar o grupião. Os galhos das árvores eram utilizados na fabricação do carvão vegetal. Zeza morava em um lugar chamado Mato Grosso – uma carvoeira que ficava perto do Paraíso. “A água vinha de uns ‘corguinhos’, muito suja de ferrugem, mas a gente tinha que tomar aquilo e achar que era a melhor água, porque era só aquela que tinha.” Depois de trabalhar também de vaqueiro para o Manoel Izídio, ele resolveu, em 1948, entrar na empresa Vale do Rio Doce, onde trabalhou “trinta anos, cinco meses e cinco dias”, aposentando-se em 1977. Era tão difícil a coisa, que meio quilo de banha tinha que durar oito dias para cada família e, se acabasse antes da ordem do João Napoleão, você ficava sem até chegar o dia de comprar outra. A gordura vinha de Valadares. O João Napoleão pedia para o armazém dele, e repartia com os funcionários quando lá chegava.

. O dia do casamento e o dia do “massacre”

No dia do meu casamento, fomos para Ipaba e de lá viemos para Ipatinga. Choveu muito. O Rio Doce tava cheio, até transbordando. Nós tivemos que entrar na canoa, atravessar, casar e, depois do casamento, tornar a entrar na canoa e atravessar o rio de volta. Fomos morar em Tamanduá.

Um fato marcante foi o massacre na Usiminas. No dia seguinte, vieram seis vagões de policiais mandados pelo coronel Pedro. Nesta época, eu estava trabalhando no km 442, que era o antigo João Correia, quando vi os soldados passarem.

. O “beque-central” montava burro para enfrentar adversário

Zeza, “bom de bola e perigoso”, jogou como beque-central, marcador de ponta, no time do União, que reunia também os jogadores: “Antônio Campos; Ivo Bandeira; Filinho Bandeira; Joaquim Guarda, que era o goleiro; o substituto do Joaquim Guarda era o Manoel Tereza; João Valentim Pascoal; um negão que tinha o apelido de ‘Dedão’; e o Anacleto vinha lá de Fabriciano para nos ajudar a jogar”.

O time contou também com as instruções do Calado, Antônio da Calma, o nego Otávio, o Anacleto e o Raimundinho. As bolas e o uniforme do time eram fornecidos pelo João Napoleão, sogro de Zeza. O União “ia a cavalo” no lombo dos “burros que puxavam carvão” para enfrentar os adversários: Pedra Corrida, Melo Viana, que chamava-se Santo Antônio do Gambá, Paraíso, Mesquita, e “o time mais atrevido que tinha aqui”, o Boachá.

. Sofrimentos e recompensa

Sofri demais, mas não posso reclamar, porque fui recompensado pela misericórdia de Deus. Ipatinga tá ficando uma cidade insubstituível. Cada um deu a sua contribuição para hoje ela ser esta cidade.

Zeza Souto veio a falecer no dia 10 de julho de 2006, vítima de um infarto fulminante.

FONTE e mais detalhes sobre ZEZA AVELINO SOUTO: Veja a Coletãnea de José Augusto Moraes - "IPATINGA - "Cidade Jardim". Livraria Mendanha (Bom Retiro - 3823-4277) e na "Art Publish" (Veneza II - 3822- 6019).




 

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