Ipatinga, 21 de Novembro de 2018
PERSONAGENS

ANDERSON FIGUEIREDO "O eterno xerife socialino"

- Maior zagueiro do Saci em todos os tempos, Anderson Figueiredo revela detalhes da carreira e comenta sua identidade com o clube fabricianense.


Entre divisões de base e categoria profissional, Anderson Figueiredo (último agachado, segurando a bola) ficou no Atlético de 1982 a 1995.

A poucos dias da estreia do Social no Campeonato Mineiro do Módulo II, o Personagem da Semana é o ex-zagueiro do clube fabricianense, Anderson Figueiredo, que, especialmente durante o Estadual da Série A de 1997, marcou época ao vestir a camisa do Saci na grande campanha semifinalista da equipe do Vale do Aço. Mineiro de Belo Horizonte, Figueiredo tinha estilo clássico, aliado à força que naturalmente caracteriza qualquer defensor. Sua passagem pelo time socialino foi tão marcante que rendeu a ele uma grande identificação com o clube e um lugar entre os melhores atletas da história do Social.

No ano de 2011, o jornal VALE DO AÇO promoveu uma enquete comemorativa ao aniversário do Social, comemorado no dia 1º de outubro. Na ocasião, Anderson Figueiredo foi eleito o melhor zagueiro do Saci em todos os tempos, levantamento que o colocou na “escalação de todos os tempos” do clube.

Mineiro de Belo Horizonte e revelado nas divisões de base do Atlético ainda na década de 1980, o ex-defensor, hoje com 40 anos, também teve grande passagem por Ipatinga, em 2001, e Tupi, em 2003, seu último clube.

Em entrevista exclusiva ao JVA, Anderson Figueiredo relembra sua trajetória no futebol e como chegou ao time fabricianense, por meio do ex-presidente do Ipatinga, Itair Machado, seu ex-companheiro na base atleticana.

Morador do bairro ipatinguense Cidade Nobre, o ex-zagueiro ainda comenta sobre o atual elenco socialino para a disputa do Módulo II de 2013 e revela estar na torcida para que o Saci retorne à divisão de elite do futebol mineiro.

FICHA TÉCNICA

Nome completo: Anderson Márcio Figueiredo

Naturalidade: Belo Horizonte

Clubes: Atlético, Uberlândia, Social, Mogi Mirim, Paysandu, Acadêmica de Coimbra (POR), União São João/SP, Atlético/GO, Villa Nova/MG, Ipatinga e Tupi

Títulos: Mineiro de 1995 pelo Atlético

JVA – Como foi seu início nas divisões de base do Atlético?

ANDERSON FIGUEIREDO – Cheguei ao clube com dez anos de idade. O meu pai tinha um time no bairro Minas Caixa, de nome Cremec, em Venda Nova, BH. O seu Adalberto, hoje falecido, me levou para o Atlético. Eu jogava de lateral direito e, nesse dia, faltou zagueiro no teste que eu fui fazer no Atlético. Então, me colocaram de zagueiro, posição que assumi até o fim da minha carreira. Fiquei no Atlético de 1982 a 1995.

JVA – Qual o treinador mais importante que você teve na base atleticana?

ANDERSON FIGUEIREDO – Acredito que tenha sido o “seu” Irineu, que revelou outros jogadores, como os também zagueiros Cléber, o Clebão, e Paulo Sérgio, e o atacante Aílton. O Clebão, para se ter uma ideia, chegou ao Galo como centroavante e virou zagueiro.

JVA – Em que ano você chegou ao profissional do Galo?

ANDERSON FIGUEIREDO – Definitivamente, em 1993, mas eu cheguei a jogar alguns jogos pela equipe profissional um ano antes.

JVA – Qual o treinador que te lançou na equipe principal do Atlético?

ANDERSON FIGUEIREDO – Foi o Nelinho, ex-lateral direito, que ficou pouco tempo como treinador do Galo em 1993. Ele me levou ao time profissional do Atlético. Eu ainda gostaria de citar outros treinadores importantes para mim no Galo, que foram o Otacílio Gonçalves, o Valdir Espinosa, que tentou me levar para o Cerro Portenho, do Paraguai, e, principalmente, o Levir Culpi.

JVA – Você se recorda de algum jogo inesquecível seu com a camisa atleticana?

ANDERSON FIGUEIREDO – Foi na decisão da Copa Ouro de 1993, quando perdemos para o Boca Juniors por 1 a 0 na Argentina. Foi um jogão! Naquela partida, jogamos muito, mas, infelizmente, perdemos. O Atlético tinha um time jovem contra uma equipe muito forte e muito experiente, que era o Boca. Jogar na Bombonera é algo muito especial para qualquer jogador.

JVA – Por que você não teve mais chances de permanecer no Galo?

ANDERSON FIGUEIREDO – O Procópio Cardoso Netto assumiu o comando do time em 1995 e solicitou que o meu contrato não fosse renovado. Aí eu comecei a ser emprestado. No Uberlândia, em 1996, fui o melhor jogador em campo no jogo final do Mineiro contra o Atlético, do mesmo Procópio. Empatamos sem gols no Parque do Sabiá e o Galo perdeu o título, já que o Cruzeiro ganhou do América no Mineirão por 1 a 0, gol de Aílton, e foi campeão. A diretoria do Cruzeiro nos ofereceu, na ocasião, uma premiação de R$ 100 mil reais para tirarmos pontos do Atlético. Aquele dinheiro nos motivou para que pudéssemos ter aquela grande atuação. Mesmo se o Cruzeiro não tivesse derrotado o América e perdesse a taça, receberíamos R$ 50 mil pelo empate com o Atlético. Após cada jogada minha, principalmente os desarmes que eu fazia naquele jogo, eu olhava para o Procópio no banco de reservas do Atlético. Todo mundo no Uberlândia recebeu parte daqueles R$ 100 mil, valor que foi depositado na conta do nosso goleiro Ricardo Gomes, o Baiano, ex-Ipiranga de Manhuaçu. O técnico do Uberlândia em 1996 era o Brandãozinho, que fez corretamente toda a divisão do dinheiro que o Cruzeiro nos mandou. O que ganhou menos, o funcionário que cuidava da grama do campo de treino, levou o equivalente a um salário mínimo da época.

JVA – Relembre sua chegada ao Social.

ANDERSON FIGUEIREDO – Foi em janeiro de 1997, para a disputa do Campeonato Mineiro do Módulo I. Eu já era dono do meu passe. Curiosamente, quem me trouxe para o Social foi o Itair Machado, ex-presidente do Ipatinga, que era parceiro do Saci em um bingão promovido, na época, pelo clube fabricianense. Ele me assegurou que, se a diretoria do Social não me pagasse, ele mesmo me pagaria. Eu conheci o Itair na base do Atlético. Nós jogamos juntos lá. Ele era lateral direito.

JVA – Comente sobre a marcante temporada de 1997 para o Saci e a qualidade do time.

ANDERSON FIGUEIREDO – Participar dessa equipe de 1997 do Social foi muito especial para mim. Até então, o Vale do Aço nunca tinha visto um feito como aquele, ou seja, uma equipe da região chegar à fase semifinal do Mineiro da primeira divisão. O nosso time era muito bom e muito bem comandado pelo Zé Ângelo Preca. A equipe titular tinha: Gomes; Helinho, Anderson Figueiredo, Alexandre Nunes e o saudoso Serginho, ex-São Caetano; Paulinho, Toninho Pereira, Anderson Duarte e Renatinho; Washington “Ensaboado” e Kika. O time ainda tinha jogadores muito importantes naquela campanha, como o goleiro Lucas; os zagueiros Roberto Carlos – atual treinador socialino – e Hélio Pescara, ex-Atlético; o lateral esquerdo Leonardo Silva, ex-Aciaria; os meias Jakson e William Abreu; e os atacantes Maurinho Veras e Toni.

JVA – Por que o Social “parou” no Villa Nova, já que tinha um time melhor que o do Leão do Bonfim?

ANDERSON FIGUEIREDO – Perdemos a classificação lá em Nova Lima, onde faltou um pouco mais de pegada da nossa equipe no primeiro jogo da semifinal, quando fomos derrotados por 2 a 0. Se tivéssemos jogado um pouco melhor fora de casa, com maior atenção aos detalhes do jogo, teríamos garantido a vaga no duelo seguinte, em Fabriciano, quando empatamos por 2 a 2, e jogaríamos, em seguida, as finais contra o Cruzeiro.

JVA – Qual a importância do torcedor socialino naquela campanha de 1997?

ANDERSON FIGUEIREDO – A torcida cativou a todos nós, jogadores, durante o Mineiro daquele ano. A lembrança do jogo final contra o Villa Nova no Luisão é inesquecível. O estádio estava lotado e o torcedor do Social nos apoiou o tempo todo. Lamentavelmente, a classificação não veio, mas foi uma campanha muito especial.

JVA – Em 2001, você também viveu uma grande temporada no Ipatinga. Comente.

ANDERSON FIGUEIREDO – Foi um ano igualmente marcante. Novamente com o Zé Ângelo de treinador, vencemos América e Cruzeiro em Belo Horizonte. Derrotamos o Coelho no Independência por 1 a 0, gol de Alexandre Goulart. No outro final de semana, vencemos o Cruzeiro por 3 a 1 no Mineirão, com gols de Alan – atualmente no Braga (POR), Alexandre Nunes e Alexandre Goulart para o Ipatinga. Oséas descontou para o Cruzeiro, que era comandado pelo Felipão. Nesse jogo do Mineirão, a diretoria nos fez uma surpresa, levando as esposas, noivas e namoradas dos atletas para o estádio. Uma semana depois, no dia das mães, recebemos a Caldense no Ipatingão lotado e perdemos por 3 a 1. Nesse jogo, fiquei de fora, suspenso. A diretoria do Ipatinga voltou a nos surpreender, levando as mães dos jogadores. Assisti essa partida ao lado da minha mãe, Laura Figueiredo, que viria a falecer cinco anos depois.

JVA – Qual “Anderson Figueiredo” jogou mais: o de 1997, pelo Social, ou o de 2001, no Ipatinga?

ANDERSON FIGUEIREDO – Sem dúvidas o de 1997, pelo Social. Eu era mais novo e vivia uma grande fase. O nosso time se encaixou mais do que a equipe de 2001 do Ipatinga. Eu me lembro que, pelo Saci, em 1997, nós jogávamos como se fosse por música. Vale lembrar também que o time do Social de 1998, eliminado na segunda fase do Mineiro pelo Cruzeiro, também era muito bom.

JVA – Quando você encerrou sua carreira de atleta?

ANDERSON FIGUEIREDO – Foi no segundo semestre de 2003. O último clube pelo qual joguei foi o Tupi, de Juiz de Fora, então dirigido pelo Zé Ângelo e que tinha o goleiro Edmar, o “Dida”, revelado pelo Galo. Fomos “campeões do interior” naquele ano. Parei de jogar com 31 anos e passei a dar prioridade à minha família. Hoje, moro com a minha esposa, Vivianne Figueiredo, e os meus dois filhos, Gabriel Figueiredo e Alice Figueiredo, no bairro Cidade Nobre, em Ipatinga. Os demais familiares continuam morando em Belo Horizonte, no caso, o meu pai, Hilton Figueiredo, e as minhas duas irmãs, Alessandra Figueiredo e Andréa Figueiredo. Minha mãe, Laura Figueiredo, como eu disse, faleceu em 2006.

JVA – Às vésperas da estreia socialina no Módulo II do Mineiro, que impressão você tem do atual elenco e da estrutura apresentada pelo clube fabricianense este ano?

ANDERSON FIGUEIREDO – Acredito que o Social dará trabalho na competição, mas ainda não vejo uma equipe socialina ideal para buscar o acesso. Na base da raça, penso que o Saci pode, sim, conseguir subir, mas pelo elenco, tenho algumas dúvidas. Desta vez, deram tempo de trabalho ao Roberto Carlos, que não é mais interino. Estou na torcida pelo clube, tenho até carteirinha de torcedor do Social e deverei estar em praticamente todos os jogos da equipe em casa.

JVA – Que mensagem você deixa à torcida socialina?

ANDERSON FIGUEIREDO – Que o torcedor do Social possa apoiar a equipe desde o início do Módulo II. O clube precisa resgatar sua própria tradição e identificação, como fez nos anos de 1997 e 1998, e retornar à primeira divisão estadual.

REPÓRTER: Fernando Silva

Fonte: http://www.jvaonline.com.br

VÍDEO: HISTÓRIAS DA BOLA - TV Cultura Vale do Aço - Jornalista Waldecy Castro entrevista ANDERSON FIGUEIREDO "O eterno xerife socialino"


 

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