Ipatinga, 24 de Maio de 2018
PERSONAGENS

GERALDO BASSOTO

Super técnico do futebol amador


Geraldo Bassoto afirma que prefere trabalhar com jogadores compromissados

Nasceu em Raul Soares (MG), dia 22 de fevereiro de 1950. Geraldo Bassoto veio para o Vale do Aço nos anos 1960 e aqui encontrou, no futebol, uma forma de melhorar de vida. O primeiro emprego foi por causa do esporte bretão: pelo fato de jogar no Laminação, acabou contratado pela então Companhia Acesita. Como atleta foi um grande vitorioso, mas teve que parar cedo. Com apenas 31 anos, devido a uma lesão, precisou pendurar as chuteiras. Assim começava uma carreira ainda mais vitoriosa: a de técnico de futebol. Em entrevista exclusiva ao quadro “Personagem da Semana”, Geraldo Bassoto relembra a sua primeira conquista no Acesitano em 1975. O treinador, que ainda não tem destino certo para o ano de 2012, também fala sobre o dia histórico em que o Atlético não suportou a força da Seleção Acesitana.

JVA – Como foi sua vinda para o Vale do Aço?

GERALDO BASSOTO – Meus pais vieram para cá quando eu estava com 13 anos. Durante minha adolescência morei em Belo Horizonte por três anos. Quando completei 18 anos voltei para Timóteo e entrei para trabalhar na Acesita. Fiquei na empresa até me aposentar, sempre atuando também no futebol.

JVA – De que maneira surgiu o interesse pelo futebol?

BASSOTO – Eu sempre gostei muito de futebol. Toda a minha família praticou o esporte. Então eu também fui por esse lado. E o futebol me deu quase tudo que eu tenho hoje. Pelo futebol é que eu fui fichado na empresa, pelo time do Laminação.

JVA – Você foi um jogador polivalente. Por quais posições passou?

BASSOTO – Quando comecei, eu jogava como atacante, na ponta-direita. Depois eu passei a jogar na lateral-direita. O falecido João de Brito, que era meu treinador, me colocou para atuar nessa posição. Quando fui ficando mais velho, passei a atuar como zagueiro. E permaneci na zaga até eu parar de jogar futebol em 1983.

JVA – O jogador Geraldo Bassoto teria vaga no time do técnico Geraldo Bassoto?

BASSOTO – Teria. Eu era um jogador muito dedicado e muitas vezes os atacantes mais famosos – como Avalcir, Tidinho, Juleco, Baiano – já falavam “domingo tem o Bassoto!”. Sempre fui titular e líder dentro de campo.

JVA – Quais as principais equipes que você jogou?

BASSOTO – Comecei no aspirante do Laminação e fiquei no time por nove anos. Depois passei por Ipiranga, Vila Nova, São Francisco – que na época se chamava Mensageiro – Florestino, Industrial, Forjaria e Palmeiras – onde eu terminei minha carreira como jogador. Na época, o Campeonato Acesitano durava o ano todo. Eram entre 18 e 20 times, em turno e returno. Se algum time vencesse os dois turnos, seria campeão. Caso contrário, os campeões dos dois turnos se enfrentariam na decisão. Em Fabriciano passei por Avante e Caldeiraria.

JVA – Em 1975 você conquistou seu primeiro título pelo Laminação. Por que essa conquista foi tão especial?

BASSOTO – Foi minha primeira conquista como jogador amador. E o título teve um sabor especial porque enfrentamos o Florestino. O jogador mais velho do nosso time era o Manoel Soldado, que tinha 23 ou 24 anos. Os outros eram garotos: Chicão, Zé Pinto, Dinamite, que tinha 16 anos, Adair, que hoje é presidente da Liga Acesitana. Não fomos muito bem no primeiro turno. Mas no returno ganhamos de ponta a ponta. Fomos para a final com o Florestino. Vencemos o primeiro jogo, no campo deles, por 1 a 0. E no segundo jogo, no campo do Acesita, vencemos por 4 a 1 e fomos campeões com um passeio de bola.

JVA – Como jogador, que histórias curiosas você vivenciou?

BASSOTO – Eu me lembro de uma exatamente no título de 1975. O Manoel Soldado, que era policial, resolveu extravasar. Ele correu para o alambrado e jogou a camisa para a torcida. Um torcedor pegou a camisa e logo em seguida jogou de volta para o Manoel Soldado. Todo mundo ficou gozando ele. O pessoal dizia “Pô (sic) você joga a camisa para o torcedor e o torcedor devolve a camisa para você?” (risos). Outro fato interessante ocorreu quando eu estava no Industrial. O Hélio Magnani era o técnico do time. Eu me lembro que o Babá, um grande amigo meu, tava no banco. E quando estava quase terminando o primeiro tempo, por volta dos 40 minutos, o Babá entrou no lugar do Maromba, que saiu contundido. Terminou o primeiro tempo e, no intervalo, o Babá foi substituído no vestiário sem ter feito nada. Até hoje ninguém entendeu o motivo.

JVA – Você passou a ser treinador em 1983 por causa de uma contusão. Como foi a transição e como você avalia sua vida de técnico?

BASSOTO – Na verdade “me pararam” como jogador. Tive uma contusão, quando jogava pelo Palmeiras, em um jogo contra o Vila Nova. O Palmeiras tem muito a ver comigo e eu tenho muito a ver com o Palmeiras. O clube conquistou três vezes o Campeonato Acesitano e duas vezes a Copa Itatiaia. Nas cinco conquistas eu era o treinador. Trabalhei de 1984 a 1989 no Palmeiras. Logo no primeiro ano eu fui semifinalista. Em 1985 fomos campeões. Em 1986 nós tínhamos um time invencível. Nós eliminamos o Cachoeirinha, que tinha um time muito forte, até mesmo com Osmar Barão, que ainda era profissional. O Lado, filho do Geraldo Ribeiro, trouxe os caras para jogarem aqui pelo Cachoeirinha. Porém, no dia 9 de outubro daquele ano, nossa equipe perdeu para o Acesita e foi eliminada do Campeonato Acesitano. Foi esse o ano em que fizemos uma seleção para enfrentar o Atlético Mineiro. A seleção tinha nove jogadores do Palmeiras.

JVA – O jogo entre Seleção Acesitana e Atlético teve algumas polêmicas nos bastidores. O que houve?

BASSOTO – O jogo foi organizado pelo José Ângelo (Preca) e pelo falecido Luciano Pascoal. A promoção foi feita junto com a Liga Acesitana e eu fui o técnico. Eu queria que todo mundo treinasse. Eu tinha convocado o Osmar Barão, que só poderia treinar na quinta e na sexta-feira. Quando chegou na quinta-feira, fui informado que ele não poderia treinar e só viria para o jogo no domingo. Então eu defini que ele não iria jogar. Mas a seleção era tão forte que eu nem precisei convocar outro jogador para o lugar do Osmar Barão.

JVA – Houve muita pressão para que você voltasse atrás na decisão de cortar o Osmar Barão?

BASSOTO – Eu me lembro que o José Marcelo fez a narração do jogo pela rádio Educadora, com o Paulo César Santos como repórter, além do Gilberto Medeiros. Na época eles me cobraram muito a convocação do Osmar Barão, mas eu já estava decidido. Além disso, havia três jogadores do Cachoeirinha, time do Barão, sendo um deles o Talo. E eles ficaram um pouco sentidos com a ausência do Osmar Barão. E eu decidi que esses atletas ficariam de fora também. E nem convoquei outros jogadores para o lugar. Eu tinha convocado 20 atletas e preferi levar 17 para o jogo. Na época também houve muita pressão, inclusive por parte da imprensa escrita, para que eu convocasse o Lingueta, que sempre foi um jogador fantástico. Mas eu preferi não levá-lo, pois sabia que nosso time teria que correr atrás do Galo e não poderia jogar com a bola no pé. E o Lingueta não era forte na marcação. Houve publicações me criticando, mas eu nem quis responder porque eu nunca fui muito chegado a polêmicas.

JVA – Como foi o jogo?

BASSOTO – O jogo foi no campo do Acesita. A minha única dúvida era no gol e eu preferi colocar o Wilson contra o Atlético. Quem foi ao campo para ver o Atlético jogar, viu a seleção atuar bem. No primeiro tempo, o Gérson Balbino fez 1 a 0 de cabeça para o nosso time. Quando terminou a etapa inicial, a torcida já estava do nosso lado. Mantivemos a atenção e, por volta dos 30 minutos da etapa final, o Tidinho fez 2 a 0. Já no finalzinho da partida o Atlético teve um pênalti a seu favor e descontou. Foi assim que derrotamos o Atlético por 2 a 1. Na época, o Atlético tinha Orlando na lateral-direita, Luisinho na zaga, o meio-campo tinha Ézio, Zenon e Everton, e o ataque tinha Sérgio Araújo, Nunes e Edvaldo, ou seja, um dos melhores times do Galo, pelo menos no papel. A Seleção de Timóteo começou jogando com Wilson, Tuca, Tarcísio, Beto e Toti; João Bolinha, Vanderlei e Fernandão; Gérson, Tidinho e Gustavo. Na época, foi dito que havia 12 mil torcedores no estádio.

JVA – Você ficou um tempo sem ser técnico de futebol. Porque se afastou e como resolveu voltar?

BASSOTO – Em 1991 eu cheguei à decisão do Acesitano, pelo Vila Nova, contra o São Cristóvão. E eu me senti prejudicado pela arbitragem do Sussuca (Amilton dos Anjos). Houve a marcação de um pênalti, que não aconteceu, contra nosso time. Depois teve um pênalti a nosso favor que não foi marcado. Fiquei triste com aquilo. Preferi me afastar a fazer tumulto. Logo em seguida, veio a questão das Escolinhas do Cruzeiro. O Luciano Pascoal, que era o supervisor das Escolas, foi ser técnico do Villa Nova de Nova Lima e me colocou para tomar conta. Depois passei a ser franqueado do Cruzeiro e isso tomou meu tempo. Fique 11 anos afastado da função de treinador de futebol amador. Em dezembro de 2002, voltei para comandar o Palmeiras na Copa Itatiaia. De cara fui campeão. Assim eu voltei a mexer com futebol.

JVA – No passado mais recente, quais foram as conquistas mais empolgantes?

BASSOTO – Em 2004, pelo Industrial, perdemos o título acesitano para o Esplendor. Depois conquistei mais uma Copa Itatiaia pelo Palmeiras. Quando chegou o ano de 2007, no Industrial, nós enfrentamos o Esplendor novamente na decisão e conquistamos o título. Foi um título muito interessante porque no primeiro jogo da final nós perdemos o Fla expulso e, no segundo jogo, o atacante Lili também recebeu cartão vermelho. Imagine a qualidade dos jogadores que foram expulsos. Mas mesmo assim conseguimos derrotar o Esplendor por 2 a 0 no jogo de volta e ficamos com o título. Em 2009, pelo Olaria, foi muito parecido. No primeiro jogo com o Tubarão o Baiano foi expulso. E no segundo jogo o Farley, meu comandante dentro de campo, foi expulso. Ainda assim ficamos com o título.

JVA – Por que você costuma trabalhar sempre com o mesmo grupo de jogadores?

BASSOTO – Muita gente fala que eu tenho minha “panelinha”. Eu não entendo assim. O que eles chamam de “panelinha” eu chamo de jogadores da minha confiança. São atletas que eu posso confiar e contar com eles. É um grupo que vai desde o primeiro até o último jogo do meu time no campeonato. No ano passado, vários times perderam atletas para o Campeonato Ipatinguense. Mas o Palmeiras, onde eu estava, não passou por isso. Trabalho com jogadores que sei que não vão pisar na bola comigo. Gosto de atletas compromissados.

Foto e Reporter: Diego Carvalho

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br

VÍDEO: HISTÓRIAS DA BOLA - TV Cultura Vale do Aço - Jornalista Waldecy Castro entrevista GERALDO BASSOTO


 

Copyright © 2012 Todos os Direitos Reservado - www.euamoipatinga.com.br
Eu Amo Ipatinga - E-mall : contato@euamoipatinga.com.br