Ipatinga, 21 de Agosto de 2018
PERSONAGENS

ADEMIR CUNHA “Locutor do Pode Crer!”

- Histórico narrador, Ademir Cunha afirma que se aposentou das coberturas esportivas e que seu filho, Artur, prosseguirá sua carreira transmitindo futebol


Apresentador de um talk show diário na Rádio Itatiaia Vale do Aço, o emblemático locutor revelou ter se aposentado das transmissões de futebol

O “Personagem desta Semana” abrilhantou como poucos a história do rádio esportivo brasileiro. Além da criatividade, o carisma e o poder de comunicação do apresentador e narrador Ademir Cunha impressionam.

Nascido em Governador Valadares, o emblemático locutor da Rádio Itatiaia do Vale do Aço abre as páginas de sua trajetória na imprensa esportiva, para onde encaminhou seu filho, o também radialista Artur Cunha, e embalou centenas de sonhos, por meio de sua potente e inconfundível voz, ao entoar, com todo o entusiasmo possível, seu marcante grito de gol, o “Pode Crer!”.

Ademir conta detalhes de sua carreira na imprensa esportiva, como o seu clube de coração, os momentos mais marcantes, os veículos pelos quais trabalhou, entre outras curiosidades.

Apresentador de um talk show diário na Rádio Itatiaia Vale do Aço, o emblemático locutor ainda revela ter se aposentado das transmissões de futebol.

FICHA DO ENTREVISTADO

Nome completo: Ademir Cunha

Naturalidade: Governador Valadares

Histórico profissional (veículos): Rádio Ibituruna – atualmente Rádio Globo Governador Valadares; Rádio Educadora/GV; Rádio Mundo Melhor/GV; Rádio Gazeta, de Vitória; Rádio Inconfidência/BH; Rádio Mineira/BH; Rádio Vanguarda, de Ipatinga; Rádio Educadora, de Coronel Fabriciano; Rádio Itatiaia Vale do Aço; TV Rio Doce/GV; TV Uni, de Coronel Fabriciano; TV dos Vales, de Coronel Fabriciano – na época, afiliada da Rede Record – e Cultura, do Vale do Aço.

JVA – Relembre seu início de carreira no rádio.

Ademir Cunha – Foi em 1969, quando tive a primeira oportunidade de falar no microfone de uma emissora, que foi na Mundo Melhor, em Governador Valadares, num jogo entre Democrata/GV e Villa Nova de Nova Lima, amistoso realizado no Estádio Mamudão. Daí em diante, comecei a apresentar programas, noticiários e também reportagens.

JVA – Quem te deu a grande chance de iniciar no rádio esportivo?

Ademir Cunha – Foi o grande narrador esportivo, Nelson Morais Brasil.

JVA – Você saberia dizer qual foi o seu primeiro jogo transmitido no rádio?

Ademir Cunha – Narrando, não me lembro, mas fazendo reportagem, foi nesse jogo entre Democrata/GV e Villa Nova de Nova Lima.

JVA – Como surgiu o “Pode Crer!”, grito de gol característico utilizado por você durante as jornadas esportivas pelo rádio?

Ademir Cunha – Quem me deu essa ideia foi o meu amigo Aluízio Costa Rosa, um apaixonado por rádio, quando eu já narrava na Mundo Melhor.

JVA – Relembre sua passagem pela Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte.

Ademir Cunha – Foi no início de 1997, quando fui chamado pelo Luiz Chaves, que era o coordenador de esportes da época, e eu estava na Rádio Mineira. Na Inconfidência, além de narrador, eu apresentava o “Inconfidência de Meia-Noite às 4”, pelo canal da emissora na FM, sendo que, no momento desse programa, a AM entrava em cadeia. Trabalhei com grandes profissionais do rádio mineiro. Antes da Inconfidência, eu trabalhava na Rádio Mineira com nomes como Gil Costa, Orlando Moreira – o “Peixe-Boi”, Afonso Alberto, Paulo Roberto Pinto Coelho, Luiz Carlos Alves, Waldir Rodrigues, entre outros.

JVA – Comente sua trajetória como locutor esportivo da Rádio Educadora, de Coronel Fabriciano.

Ademir Cunha – A primeira vez que trabalhei ali foi em 1982. Tínhamos uma equipe esportiva, comandada pelo Júnior, que reunia nomes como Lima Muniz, Jonas Conti, Sinésio Miranda, Valdir de Castro, Wander Santos e Pedro Márcio Milanez. Depois, voltei a trabalhar lá em 1983, 1987 e, por último, de 2001 a 2009. Cobríamos os campeonatos amadores da região e até futsal. Era uma equipe realmente fantástica.

JVA – Qual “Ademir Cunha” narrou mais (melhor): o do início, no rádio valadarense, o da Inconfidência ou o da Rádio Educadora?

Ademir Cunha – Foi o da última passagem pela Educadora de Fabriciano, com certeza. Eu já estava mais tarimbado.

JVA – Relembre, em resumo, suas atuações nas coberturas esportivas pela Rádio Itatiaia do Vale do Aço.

Ademir Cunha – Muito poucas atuações, uma vez que, aqui, na Itatiaia Vale do Aço, transmitimos com a equipe de BH. Mas, na maioria de minhas participações, transmiti o futebol amador regional, onde narrei até em pé, num jogo da Copa Amdi, em Iapu. É mole?!

JVA – Cite os bordões que você sempre utilizou no rádio esportivo.

Ademir Cunha – “Vou com você nessa!”; “Me emociona que eu emociono o meu povo!”; “Pensamento positivo!”; “Um pra lá, dois pra cá!”; e o “Pode Crer!”

JVA – Quem são os seus referenciais no rádio esportivo?

Ademir Cunha – Sem dúvida, o “Pai da Matéria”, Osmar Santos, que revolucionou o rádio esportivo, e o também narrador Osvaldo Maciel.

JVA – Qual a transmissão esportiva em que você participou no rádio que mais te marcou?

Ademir Cunha – A primeira transmissão internacional da Rádio Gazeta de Vitória/ES. Na ocasião, estive em Assunção para transmitir Brasil e Paraguai, no Estádio Defensores Del Chaco, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1986. A Seleção Brasileira venceu aquela partida por 2 a 0 – gols de Casagrande e Zico.

JVA – E qual o gol inesquecível narrador por “Ademir Cunha”?

Ademir Cunha – Foi o terceiro gol do Flamengo sobre o Atlético, marcado por Nunes, na final do Brasileiro de 1980, no Maracanã, quando o Rubro-Negro carioca sagrou-se campeão nacional (3x2). Eu narrava essa decisão pela Rádio Mundo Melhor de Valadares e, na hora em que eu vi o Nunes passando pelo Silvestre, falei: “Vai marcar... Ai, ai, ai... Pode Crer!”.

JVA – Apresentador de um talk show diário na Rádio Itatiaia, você aposentou as transmissões esportivas de sua carreira?

Ademir Cunha – Sim. Passei o microfone para o meu filho, Artur Cunha, que está seguindo a minha carreira. Trabalho de segunda a sábado e, aos domingos, ainda ter que ir a campo de futebol... Me ajuda aí, né!

JVA – Você revelaria o clube de sua preferência no futebol?

Ademir Cunha – Sou atleticano, nunca neguei, e gosto do Flamengo, por causa do meu pai. Acho uma babaquice o narrador esportivo ficar escondendo o seu clube de coração. Em Belo Horizonte, na Rádio Mineira, eu narrava todos os jogos do Cruzeiro e ainda viajava com a delegação estrelada. Nunca tive problemas com isso.

JVA – Qual a dimensão de sua influência sobre o fato de seu filho, o igualmente narrador esportivo Artur Cunha “Borba Gato”, também escolher o rádio como profissão?

Ademir Cunha – Na verdade, não tive influência sobre ele. O Artur veio para o Vale do Aço terminar o Ensino Médio e, eu, já estava na Educadora. Naquela emissora, ele teve a sua oportunidade como plantão de esportes e, depois, repórter, antes de se tornar narrador.

JVA – Relembre os programas esportivos diários que você apresentou em alguns canais televisivos do Vale do Aço na década passada.

Ademir Cunha – Na TV Cultura, de Ipatinga, lancei em 2000, ao lado de Nelcy Romão, o programa Painel Esportivo, que, depois, passou a ser exibido pela TV Uni, de Coronel Fabriciano. Já na TV dos Vales, também em Fabriciano, tivemos o Bola no Gol, que foi um sucesso, quando tínhamos uma bancada formada pelo próprio Nelcy Romão, que representava o Ipatinga; Breno Mendes, representante do Social; e o ex-meia Walber, que representava o Democrata/GV. Eu e a Anne Macedo apresentávamos o programa.

JVA – Qual a sua opinião sobre a atual e constante prática do chamado “off-tube” nas transmissões esportivas pelo rádio?

Ademir Cunha – Hoje, com os altos custos para se manter uma equipe esportiva, as emissoras de rádio passaram a adotar essa linha. Todas fazem “off-tube”. Não pense que é só no interior. A prática também existe na Capital e nos outros grandes centros. Penso que o importante é ter o repórter à beira do gramado. Narrador e comentarista podem estar no estúdio. Não vejo problema nisso aí.

JVA – Como você avalia o atual momento, administrativo e técnico (conteúdo), do rádio esportivo do Vale do Aço?

Ademir Cunha – Bom, não perde para nenhuma outra região do interior do nosso estado. O rádio no Vale do Aço continua atuante, principalmente a Itatiaia, no que diz respeito à informação e ao entretenimento.

REPÓRTER: Fernando Silva

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br


 

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