Ipatinga, 20 de Maio de 2018
PERSONAGENS

CÁSSIO HORTA MAGALHÃES "Cassinho"

Do Vale do Aço para os gramados da Europa. A história do jovem atacante Cássio Magalhães, o Cassinho, campeão Ipatinguense no passado pelo Novo Cruzeiro e atualmente destaque no futebol suíço


Cassinho atuou na Espanha, Croácia e Bósnia antes de se transferir para o FC Thun, da Suíça

Cássio Horta Magalhães é natural de Coronel Fabriciano – MG, nascido em 20 de agosto de 1990.Cássio Horta Magalhães, o "Cassinho", já tem muita história para contar no futebol. Campeão e artilheiro nos ainda recentes tempos de amador no Vale do Aço, o jovem atacante fabricianense teve sua primeira grande oportunidade “na bola” aos 13 anos, quando chegou ao Clube de Regatas Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, após se destacar nas divisões de base da extinta “fornecedora” Associação Atlética Aciaria, de Ipatinga.

Desde então, se acostumou a viver longe da família e conheceu, precocemente, a dura realidade do mais popular de todos os esportes. Adquiriu experiência de vida. Com tamanho aprendizado, a maturidade e a personalidade para driblar a saudade de casa logo passaram a fazer parte de sua persistente trajetória. “É uma carreira dolorosa”, resume Cassinho, que quase abandonou o sonho de ser jogador de futebol. “Eu já estava desiludido”, revela o Personagem da Semana em entrevista exclusiva ao jornal VALE DO AÇO.

Diferentemente de outros tantos garotos, “barrados no baile” do esporte profissional, o jovem atacante, apresentado à bola ainda criança no Avante, clube amador de sua cidade, recebeu um surpreendente convite e avistou uma luz no fim do túnel, que o conduziu até o futebol europeu, onde sua experiência em vencer desafios no Brasil foi utilizada como “escudo” e forma de vida, para igualmente superar os obstáculos no “Velho Continente”, especialmente a língua, a saudade dos pais e a solidão.

Vitorioso dentro e fora de campo, Cassinho, que também atuou na Espanha, Croácia e Bósnia, agora veste, com mais orgulho ainda, a camisa do pouco badalado FC Thun, clube suíço em ascensão, um pouco parecido com ele, que, assim como o atacante do Vale do Aço, igualmente busca, mesmo na Europa, um lugar de maior destaque ao “sol do futebol”, cujo brilho, lamentavelmente, acaba não sendo para todos.

FICHA DO ENTREVISTADO

Nome completo: Cássio Horta Magalhães

Idade: 22 anos

Naturalidade: Coronel Fabriciano

Altura: 1,73 m

Peso: 73 kg

Posição: Atacante

Clubes: Vasco/RJ, Social, Ipatinga, Dínamo Zagreb (CRO), Boavista/RJ, Montañeros (ESP), Travnik (BOS) e FC Thun (SUI)

JVA – Onde, quando e como você iniciou sua carreira?

Cassinho – Comecei a minha trajetória no futebol com o Lucinho, no Avante EC, aos sete anos de idade. Em seguida, fui para a AA Aciaria, de Ipatinga. Após ter sido artilheiro de uma edição da Copa Gazetinha, no Espírito Santo, jogando pela Aciaria, fui chamado para atuar no Vasco da Gama/RJ.

JVA – Relembre sua trajetória no futebol amador regional.

Cassinho – Na verdade, depois que fui para o futebol carioca, quase não tive mais contato com o futebol mineiro. Joguei um ano no futebol amador do Vale do Aço com o desportista Ailson Gilberto e o “Seu” Gercy Mathias. Foi quando eu tive a oportunidade de ser campeão Ipatinguense com o Novo Cruzeiro e artilheiro da competição municipal. Depois, joguei o Campeonato Acesitano pelo Laminação, com o Professor Carlinhos e o Presidente Augusto, onde fui vice-campeão e também goleador da competição. Também tive o prazer de jogar uma edição do Torneio da Amizade, em Coronel Fabriciano.

JVA – Quais as suas características em campo?

Cassinho – Sou um atacante de baixa estatura, de um grande posicionamento, velocidade, boa finalização com a perna direita e com a esquerda. Tenho também uma ótima impulsão. E, graças a Deus, sempre fazendo os meus gols. (risos)

JVA – Além de categorias de base, você atuou por clubes profissionais no Brasil?

Cassinho – Sim. Joguei no Boavista/RJ, Social e Ipatinga.

JVA – Ainda no futebol brasileiro, diante de possíveis desilusões, você chegou a pensar em desistir da carreira de atleta?

Cassinho – Vou ser muito sincero. É uma carreira muito dolorosa. No ano de 2011, quando joguei campeonatos amadores no Vale do Aço e na cidade de Capelinha, eu já estava desiludido. Na época, eu estudava e trabalhava. Mas, graças a Deus, sempre corri muito “atrás”, por onde passei, sempre deixei as portas abertas, até receber uma nova proposta da Croácia. Eu vi como um recomeço. Houve também uma sondagem do Ipatinga nessa época.

JVA – Como e quando você chegou ao futebol europeu?

Cassinho – Minha primeira passagem pelo futebol europeu foi no ano de 2008. Eu tinha apenas 17 anos, jogava no Boavista/RJ, onde vinha sendo artilheiro. Eu era bem jovem e, graças a Deus, despertei a atenção de uns clubes e investidores aqui da Europa.

JVA – Fale sobre a experiência em atuar no futebol suíço e também a respeito do clube em que você joga, como estrutura, torcida etc.

Cassinho – Jogar na Europa sempre é muito bom em todos os aspectos. A primeira imagem que se tem é “tudo ótimo”, “muito fácil”. Mas não é bem assim. Muitos chegam aqui com grandes ilusões, grandes expectativas, e acabam não dando certo. É um futebol de muita força com bastante técnica. Tenho contrato de três anos com o meu atual clube, o Thun. É um bom clube, já jogou algumas edições da Uefa Champions League – Liga dos Campeões da Europa. O Thun possui uma ótima estrutura, estádio novo e está trocando de patrocinador agora, saindo da Erima e acertando com a Nike. A torcida do clube é muito fanática e presente até demais, mesmo com o frio. Só tenho a agradecer ao clube e ao torcedor do Thun sempre, pelo carinho e apoio. Algumas vezes, quando eu chego dos treinamentos, alguns torcedores me esperam para me entregar presentes e cartas. Isso é muito gratificante.

JVA – Como está sendo a atual temporada para você e seu clube na Suíça?

Cassinho – Voltamos das férias recentemente e fizemos pré-temporada na Turquia. Estamos nas quartas de final da Copa da Suíça. No campeonato nacional, nossa campanha é mediana. A prioridade do clube é mesmo a Copa da Suíça.

JVA – Você mora com familiares na Suíça?

Cassinho – Não. Moro sozinho, mas sempre meu empresário e meus familiares estão por aqui, me visitando.

JVA – Em qual ou quais jogadores do futebol mundial você se espelha?

Cassinho – Vou falar deles como jogadores de futebol, e não no lado pessoal. Admiro Romário, Ronaldo, Alexandre Pato e Fred, pela questão da posição, em razão de também serem atacantes. Também admiro Kaká e Messi, e gosto do Cristiano Ronaldo, pelo fato de ele se sentir o melhor e querer sempre ser o melhor.

JVA – Qual o seu grande sonho no futebol?

Cassinho – São muitos. Peço muito a Deus saúde, para que eu possa seguir minha carreira. Tenho objetivos maiores, como chegar a grandes clubes europeus. Todos que me conhecem jogando falam da minha capacidade. É continuar fazendo o que eu sempre faço, ajudar minha família e estar sempre doando cestas básicas para ajudar, de certa forma, a quem precisa.

JVA – Jogar no futebol europeu já te permitiu chegar à independência financeira?

Cassinho – Eu ainda sou jovem, tenho 22 anos. Ainda não estou no patamar que eu quero (risos). Mas possuo algumas coisas e tenho muito a agradecer à minha família por tudo isso. Essa base familiar fez com que eu me tornasse um grande homem.

JVA – Como o futebol brasileiro e seus principais jogadores são vistos na Suíça?

Cassinho – O futebol brasileiro hoje, não só na Suíça, mas em todo o mundo, não possui mais aquele valor que tinha antes. Mas nunca irá perder o prestígio. Já ouvi falar muitas vezes que quando um jogador brasileiro chegava aqui, era moleza, eram “reis”. Hoje em dia, não é mais assim. Somos iguais a todos os outros atletas de outras nacionalidades. O futebol ficou bastante nivelado. Tem sempre alguém querendo a nossa vaga.

JVA – Você tem planos de retornar ao futebol brasileiro a curto prazo?

Cassinho – Meu contrato aqui vai até 2015, e espero cumpri-lo. Nunca se sabe o dia de amanhã, mas tenho pretensões de seguir na Europa, por enquanto. Eu ainda sou jovem e vejo grandes chances para a minha carreira aqui. Mas coloco nas mãos de Deus, para que Ele possa me guiar para o melhor.

JVA – Fale sobre a experiência de viver longe dos pais e em outro continente.

Cassinho – Eu já me acostumei. Fui jogar no Vasco com apenas 13 anos de idade. É uma profissão onde a gente não escolhe muito. Tenho objetivos de vencer na minha carreira. Jogar futebol é o que eu amo fazer, então, não posso olhar muito essas coisas. Dificuldades existem, mas vale a pena persistir. Hoje em dia, está tudo mais fácil para a comunicação, já que temos internet, skype, redes sociais, celulares, e isso facilita muito. Primeiro, penso na minha carreira, na minha vida, já que a minha família e os meus amigos verdadeiros sempre estarão comigo. Atualmente, além da língua portuguesa, falo espanhol, inglês e, basicamente, o idioma croata. Eu ainda estudo alemão.

REPÓRTER: Fernando Silva

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br

VÍDEO: CÁSSIO HORTA MAGALHÃES "Cassinho"


 

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