Ipatinga, 16 de Janeiro de 2018
PERSONAGENS

PADRE ABDALA JORGE

Padre Abdala Jorge chegou a Timóteo em 1953, para auxiliar Monsenhor Rafael, vindo de Mariana, onde tinha acabado de ser ordenado em 30 de novembro de 1952


Padre Abdala Jorge

TIMÓTEO - Nascido em São João Del Rey - MG, no dia 19 de julho de 1927, Padre Abdala Jorge chegou a Timóteo em 1953, para auxiliar Monsenhor Rafael. Descendente de libaneses, era o caçula e único rapaz de uma família de quatro filhos. Aos 11 anos de idade, foi enviado para o seminário de Mariana, e ordenado padre no dia 30 de novembro de 1952. Foi professor e pároco na Paróquia São José em Timóteo.

Padre Abdala participou intensamente nos movimentos populares da cidade. Padre Abdala Jorge chegou em 1953 para auxiliar Monsenhor Rafael, três anos após a criação da Paróquia de São José, em 1950 e pouco depois da criação de Acesita, em 1944. Já estavam por aqui também as Irmãs da Beneficência Popular. Pe. Abdala tomou posse em 1958 como pároco, antes mesmo da criação jurídica da Paróquia, que aconteceu em 1961. Além dos serviços religiosos que exercia com rigor, tornando-se conhecido por não tolerar atrasos de noivas nos casamentos e pelos sermões contundentes, pe. Abdala sempre esteve ligado à vida política e sindical de Timóteo e do Vale do Aço. Teve papel ativo nas principais lutas dos metalúrgicos de Timóteo, muitas vezes subindo nos palanques para pronunciar discursos combativos, assim como fez em praticamente todas as manifestações e lutas sociais contra a ditadura militar, até a queda do regime em 1985. Apoiou os principais movimentos de oposição sindical que culminaram com a fundação dos sindicais ligados à Central Única dos Trabalhadores e esteve à frente de praticamente todas as lutas e movimentos operários até início da década de 90, quando a saúde começou a apresentar sinais de debilidade, e Abdala restringiu sua atuação ao trabalho espiritual e intelectual, deixando inúmeros registros e entrevistas sobre a história regional, particularmente sobre o Massacre de Ipatinga, ocorrido em outubro de 1963. Padre Abdala, à época tratou de difundir o ocorrido, numa época em que as comunicações eram precárias. Ele costumava relatar que tinha contado, pessoalmente 11 cadáveres no antigo Hospital Nossa Senhora do Carmo (atual Hospital Unimed, em Coronel Fabriciano) para onde foram levadas as vítimas do massacre (na época não existia o Hospital Márcio Cunha em Ipatinga).

DEFENSOR DOS DIREITOS HUMANOS

O Bispo Emérito da Diocese de Itabira/Coronel Fabriciano, Dom Lélis Lara, conviveu com Padre Abdala por 41 anos e o distingue como sendo um homem batalhador, honesto, íntegro e que apoiava os pobres: “A casa do Padre Abdala não se fechava para os necessitados. Ele passou a vida lutando contra as injustiças e defendendo os pobres. Chegou a ser processado pela Ditadura Militar justamente por seu envolvimento e empenho pelos direitos humanos que estavam sendo ofendidos. Sempre nos entendemos muito bem”, afirma.

Em junho de 2008, Padre Abdala foi atropelado por uma moto na Praça 1º de Maio, em frente à Igreja Matriz de São José, no Centro Norte de Timóteo. Desde então, com a saúde debilitada, ele chegou a ser internado por várias vezes, conta o atual pároco, o padre Pascifal José do Nascimento: “O acidente ocorreu em frente ao coreto diante da paróquia e ele teve um grande trauma na cabeça. Foi também depois disso que foi descoberto que ele tinha doença de Alzheimer. Ele se aposentou da função de pároco e assumiu em seu lugar o Padre Moacir. Mesmo assim ele continuava à frente de várias atividades que já eram de sua responsabilidade. Quando eu assumi o cargo, foi que ele passou a exercer menos atividades. Até que, sem ter mais condições de saúde, ele não assumiu mais quaisquer funções dentro da Igreja”, relembra Pascifal.

“Em geral a saúde dele era boa, ele se alimentava bem, gostava muito de ler jornais, livros e se manter bem informado. Era lúcido e gostava de conversar com as pessoas. Ele gostava muito de contar história sobre o seu passado”, revela também o padre.

Padre Abdala vinha recebendo cuidados na Casa Paroquial, mas complicações no dia 27 de julho de 2012 levaram a sua internação no mesmo dia no Hospital Vital Brasil, onde sua morte foi registrada na noite do dia 30 de julho de 2012.

Em julho de 2012, o DIÁRIO DO AÇO entrevistou as duas religiosas que conheceram de perto e acompanharam os trabalhos do padre por mais de cinquenta anos. Maria da Conceição Aparecida e Alvimar Martins Castro são conhecidas como irmã Aparecida e irmã Alvimar.

Juntas, elas trabalharam por 54 anos ao lado de padre Abdala, cumprindo funções religiosas na igreja de São José Operário e demais paróquias de Timóteo.

BASÍLICA

Segundo depoimento da irmã Alvimar, quando a Igreja do Timirim ficou pronta, o sacerdote decidiu que não seria construída uma casa paroquial no local, pois a área era muito isolada. Assim, ele preferiu continuar morando na casa paroquial da igreja matriz e lá celebrava a maior parte das missas.

SINDICALISMO

De acordo com irmã Aparecida, o religioso teve ativa participação no movimento sindical da antiga Companhia Aços Especiais Itabira (Acesita) em defesa dos direitos dos metalúrgicos. Em função disso, padre Abdala foi muito criticado por empresários que acreditavam que a política não deveria ser misturada com religião. “Mas ele sempre dizia que a igreja deveria estar onde o povo estivesse; essa era a resposta dele”, conta a irmã.

LAVADEIRAS

A luta pelo pagamento justo pelo trabalho das lavadeiras foi outra grande batalha do pároco, ocorrida no fim da década de 1980. Por achar que as mulheres eram exploradas, o religioso ajudou a fundar a Associação das Lavadeiras e a criar as primeiras tabelas de preços para a cobrança que considerava justa por essa atividade.

VÍDEO: Um momento com Padre Abdala




 

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