Ipatinga, 25 de Junho de 2019
PERSONAGENS

PEDRO LINHARES GOMES



Pedro Linhares Gomes

Nasceu na cidade de Alvinópolis – MG, em outubro de 1929. Filho de José dos Santos Gomes e Arminda Linhares Vieira, casou-se com Gemina Linhares em junho de 1956 em Volta Redonda - RJ e tiveram dois filhos: Flávio Linhares e Ivan Linhares. Pedro Linhares chegou em Ipatinga no ano de 1961, a convite do amigo de infãncia Antônio Fernandes, que trabalhava na CSN e convivera com ele em Volta Redonda. Antônio e outro irmão, especialistas em siderurgia, foram trazidos pelo médico e irmão Emílio Gomes Fernandes para trabalhar na Usiminas. "O Antônio convidou-me para conhecer Ipatinga, porque eles não entendiam nada de imóveis e estavam fazendo loteamento da Vila Celeste com a imobiliária Cifel. Com isso, eu vim pra cá para ser pioneiro, pela terceira vez. A primeira em João Monlevade, na construção da Belgo-Mineira; e a segunda, em Volta Redonda, na construção da CSN". Pedro Linhares montou em Ipatinga uma filial da Imobiliária Sotil, fundada em Volta Redonda, e se orgulha “de ter participado da construção da cidade”. "Quando cheguei, no centro de Ipatinga tínhamos as ruas do Comércio, São José, Poços de Caldas, Aimorés, Ponte Nova, Mariana e Sabará; enfim, umas dez ruas. A Avenida João Valentim Pascoal era uma plantação de eucalíptos da Usiminas. Ipatinga pertencia a Coronel Fabriciano e não havia aqui quase nada. As autoridades de Fabriciano não tinha muita noção da explosão demográfica, planejamento urbano, e não esperavam que isto fosse crescer tanto como cresceu. Minha família veio para Ipatinga em 1962. Moramos inicialmente, no bairro Canaã. Fomos bem sucedidos, embora pudesse ter sido melhor".

CANAÃ - PRIMEIRO LOTEAMENTO DA SOTIL

"Iniciei meus loteamentos em Ipatinga através da Câmara Municipal de Coronel Fabriciano. José Anatólio Barbosa, então vereador pelo distrito de Barra Alegre, nos introduziu na Prefeitura e eles aprovaram, em 1962, o primeiro loteamento, que foi o Canaã, nas terras de Selim José de Salles".

PLANEJAMENTO URBANO EM IPATINGA "IMPROVISADA"

Segundo Pedro Linhares, não havia nenhum engenheiro civil ou arquiteto em Ipatinga. Porém, graças a experiência adquirida na Imobiliária Sotil, em Volta Redonda, conseguiu projetar o bairro Canaã e realizar vários outros loteamentos em Ipatinga. "Lembro-me que, quando projetamos o bairro Canaã, existia lá uma rede de alta-tensão. Projetamos as ruas, deixando a rede no canteiro. Um amigo meu viu o projeto e achou um absurdo perder tanta terra. Então fizemos vários loteamentos pensando numa cidade grande, evitando conflito de trânsito. Ele afirma que a Pedro Linhares projetou o bairro Novo Iguaçu, hoje Parque Ipanema, obra atribuída a João Lamego".

"Drenamos o Ribeirão Ipanema. Eu cortei o ribeirão, que passava justamente na área onde construíram o estádio de futebol, e mudei o bairro Veneza de lugar. Falaram que foi João Lamego, mas foi a Pedro Linhares, para projetar o bairro Novo Iguaçu, que, hoje é o Parque Ipanema. A continuidade da drenagem até o bairro Castelo, próximo à rodovia, foi Lamego quem fez. Mas o Parque, o pior, fomos nós que fizemos. O Moacir Lott, da Usiminas, era agrimensor da equipe de topografia. A Usiminas fez o anteprojeto. Discutimos e consertamos, porque nós imaginávamos o crescimento e a valorização futura dos lotes".

APROPRIAÇÃO E DESAPROPRIAÇÃO DE TERRAS

"As terras eram da Belgo-Mineira e foram desapropriadas, do alto da Usipa até o Ribeirão Ipanema. Havia a fazenda do Selim, onde hoje estão os bairros Canaã e Bethãnia, e a do Jair Gonçalves, onde estão os bairros Iguaçu e Cidade Nobre. Nenhuma área era terreno público. O lado direito do Ipanema era da Usiminas. O lado esquerdo era da Acesita. Depois vinham as terras do Jair Gonçalves. O que a Prefeitura fazia, quando precisava de terras, era desapropriar".

ATRITOS COM TERRAS

Pedro Linhares conta que “houve atritos com a Usiminas, por causa dos terrenos” que pertenciam a empresa. Porém, o único atrito que gerou uma ação efetiva foi onde é hoje o Colégio Tiradentes. “Área da Rua Varginha para lá era da Usiminas e houve invasão em 1963. Foi por parte dos comerciantes, nada de morador, não.” Outro fato que causou revolta e constragimento da população foi a cerca de arame que a Usiminas construíra separando a empresa e os seus bairros do resto da cidade. Tinha a cerca de arame, mas aquilo era terreno discutível: se era da usina ou do município, e a usina tinha o domínio. Quando Cyro Cotta Pogialli entrou, fez um acordo com a Usiminas, que cedeu o terreno e tirou a cerca. Mas ela reclamou que tinha que fazer ali uma área de segurança para o município. Era tudo buraco. A usina aterrou e fez o loteamento, as primeiras casas perto do bairro Vila Ipanema. O Vila Ipanema era um alojamento de tábuas, para trabalhadores que construíram o bairro Cariru e o Contingente Policial (hoje, Colégio Tiradentes).

A PRINCIPAL CAUSA DO MASSACRE DE IPATINGA

Pedro Linhares considera que a falta de infraestrutura local para atender aos milhares de operários da Usiminas foi a causa principal do episódio do “Massacre de Ipatinga”, excluindo a existência de um movimento político organizado. O “Massacre de Ipatinga” em 7 de outubro de 1963, foi um movimento de momento, sem nenhuma liderança. Naquela época, a gente não tinha comunicação nenhuma. A gente não tinha lideranças. O problema foi porque Ipatinga nasceu com 8 mil operários e não era possível dar causa para todos de uma só vez.

BOM JARDIM - O PRIMEIRO LOTEAMENTO HISTÓRICO

"O Bom Jardim foi o primeiro loteamento. Isso vem da história do Brasil. Na época do Império, o avô de um senhor chamado Lamartine Godoy ganhou uma sesmaria, que se estendia de Mesquita a Ipatinga, mas abandonou-a. D. Pedro II baixou um decreto, pelo qual todos os donatários de sesmarias que não desbravassem perderiam o direito em certo prazo. Ele perdeu, como tantos outros. As terras voltaram para o Estado. E alguns desbravadores futuros, como Geraldo Damásio, que passou a ser dono do Bom Jardim, conseguiram documentos de posse".

FAZENDA DE GERALDO DAMÁSIO NO BOM JARDIM

"Foi agora muito recente, idos de 1979, que Geraldo Damásio, João Lamego, a Cohab, Estado e a Usiminas fizeram um convênio para construir um conjunto habitacional na fazenda dele. Com isso, veio o ato de desapropriação. A Usiminas pagaria o terreno, a Prefeitura urbanizaria e a Cohab construíria. Mas o valor de emissão de posse foi simbólico. A Usiminas depositou dez mil cruzeiros antigos na época. Cometeram uma injustiça e tiraram ele de lá. Eram 30 alqueires de terra, a última área disponível no Bom Jardim".

"Com a correção monetária gerando a desvalorização e a mudança de moeda, isso ficou com um valor altíssimo e o Estado achou por bem revogar o decreto e devolver as terras para Geraldo Damásio, Nesta altura, o Jamil lavrou um decreto no município e também não pagou. Então, o Bom Jardim já contava com vários pequenos proprietários e estava todo loteado. Quem vendia, na época, as terras era o corretor Ari Malta, que era o coletor estadual. A Usiminas tinha terras lá também, onde fez o acampamento das empreiteiras. Com isso o Bom Jardim cresceu antes de todos os bairros de Ipatinga. A emancipação da cidade e a captação de recursos da Usiminas".

Pedro Linhares conta que "houve um mal-estar" quando Ipatinga foi emancipada. "porque todos pensavam que um desses emancipadores pudesse ser indicado intendente". Duas pessoas teriam sido convidadas. "mas não aceitaram e então veio o Délio Baeta", do Departamento de Assistência aos Municípios - DAM, um "homem experiente". Délio Baeta enfrentou o desafio de "implantar uma cidade sem um mínimo de recurso". Com o apoio do governo e a obtenção de recursos da Usiminas, ele iniciou o trabalho. Houve na época uma polêmica sobre a captação de recursos da Usiminas, "que era isenta por dez anos de todos os impostos". Todavia, a concessão era da Prefeitura de Fabriciano e Ipatinga já era outra cidade, não pertencia mais a Coronel Fabriciano". Então, criou-se uma polêmica: estava ou não isenta? Délio, muito jeitoso, conseguiu convencer a direção da Usiminas a colaborar. E a usina reconheceu também a necessidade de se implantar o munícipio. Então, ela pagou.

DESRESPEITO A LEI DAS ÁREAS PÚBLICAS

Pedro Linhares diz que "fomos felizes, porque todos os 18 mil lotes que fizemos não provocaram conflito de trânsito". Todavia, ressalva o desrespeito a "lei que orienta as áreas públicas" no caso dos terrenos que deixaram prontos nos loteamentos, para serem "destinados a praças". E que tais terrenos públicos "foram doados ou cedidos, no sentido de comodato, para entidades ou igrejas.

"Mas eu, por outro lado, fico feliz. Tenho títulos concedidos pela cidade em reconhecimento ao trabalho que fizemos".

Pedro Linhares veio a falecer em novembro de 1990.

FONTE e mais detalhes sobre a história, causos e pioneiros de Ipatinga, veja a Coletãnea de José Augusto Moraes - "IPATINGA - "Cidade Jardim". 9428-9505




 

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