Ipatinga, 27 de Fevereiro de 2021
PERSONAGENS

JOSÉ MARIA DE SOUZA

A história da Fazenda Santa Edwiges, localizada no município de Naque, começou em 1986, quando José Maria de Souza, depois de se aposentar do comércio, resolveu comprar uma propriedade na zona rural


José Maria de Souza e o filho Martinho Magno de Souza

Filho de produtor rural, cresceu e trabalhou na roça. Natural de Raul Soares (MG), hoje mora em Ipatinga. Aos 87 anos, depois de 11 filhos (três morreram), 26 netos e 12 bisnetos, Souza comenta que se esqueceu de muita coisa, mas o gosto pela terra continua.

Na época de aquisição da fazenda ele trabalhava com gado mestiço. Em 1992, quando comprou o primeiro animal da raça Gir, para fazer Girolando, entusiasmou-se pela raça ao saber que era destinada a produção de leite. Depois disso, comprou outros animais Gir Leiteiro e firmou na criação da raça. A escolha em mexer com Gir foi por coincidência, mas Souza aponta que o gado da raça é mais bonito e mais valorizado. José Maria de Souza foi o 38º a se filiar na Assosciaçao Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL). Atualmente o plantel é composto por 310 cabeças, destas 120 são vacas, 70 são novilhas e o restante é composto por tourinhos. A área, toda destinada à criação, tem um total de 307 hectares. Sete nascentes passam pela propriedade.

A estrutura, dividida em 22 piquetes, teve melhorias nas cercas, no pasto e na sede. Uma área é destinada para o plantio de milho, para fazer silagem, e outra para plantação de cana-de-açúcar, destinada à alimentação do plantel, que é feita durante todo o ano com silagem e na seca com a cana. Cinco funcionários fazem parte da equipe da Fazenda Santa Edwiges. Quatro destinados para o manejo com os animais e um tratorista.

As ordenhas, duas por dia, são feitas manualmente, pois a critério de Souza, preferiu não fazer com a ordenha mecânica. “É comum você tirar o leite da vaca e deixar o resto para o bezerro. O processo aqui na fazenda é diferente: nós costumamos primeiro deixar o bezerro mamar e depois nós tiramos a sobra”, informa o proprietário. Já em relação ao manejo sanitário, as vacinações são feitas dentro do calendário estipulado. Um veterinário é contratado da fazenda e vai duas vezes por mês para prestar assistência técnica.

As estratégias utilizadas para uma boa produção, segundo o produtor, é ter boas vacas de leite e fazer um bom trato. A idade do primeiro parto gira em torno de 31 a 36 meses e a produção é de aproximadamente 300 litros de leite por dia. O destaque na lactação, com uma média de sete mil litros, fica por conta de Cubana e Jóia, filhas de Chuva que também se destacava na produção. O filho do produtor, Martinho Magno de Souza, de 57 anos, lembra ainda que uma das estratégias é pegar as melhores vacas e colocar com os melhores touros. Isso pode ser pensado através dos testes de progênie aplicados no plantel. Os animais já receberam premiações nas Exposições de Governador Valadares, Teófilo Otoni e Uberaba.

José Maria conta que ia à fazenda e ficava por lá a semana toda. Porém, no dia 03 de setembro de 2009, ele sofreu um acidente com uma das vacas do rebanho, que acabara de parir. Ele foi tentar ajudar um dos vaqueiros que estava prendendo os bezerros, quando a vaca o jogou no chão. Ele bateu a cabeça e precisou passar por duas cirurgias devido aos dois coágulos que se formaram. Depois disso, o filho Martinho que passou a cuidar da propriedade.

. Melhoramento Genético

Desde a descoberta do Gir como gado leiteiro, lá em 1992, a curiosidade de Souza foi despertada. Entretanto, a produção de leite não é o foco da Fazenda Santa Edwiges. Martinho Magno informa que não tem um pico de produção de leite porque o trabalho é feito somente em cima das vacas que vão para os torneios. Ele reitera que o habitual é deixar os bezerros mamarem primeiro e só depois que eles pegam as sobras. “Nós objetivamos criar bezerros sadios, fortes e não tirar muito leite. Porque o nosso objetivo é fazer matriz, fazer os tourinhos, fazer as novilhas mais saudáveis. A produção de leite é uma questão secundária”, classifica.

O melhoramento genético é aplicado em todo o rebanho. Todos são resultados de biotecnologias como Transferência de Embriões (TE), feita há 10 anos, e de Fertilização In Vitro (FIV), há cinco anos. A fazenda tem parceria com duas empresas de melhoramento genético, para avaliação e aplicação das biotecnologias no plantel. Para isso, botijões de semens são comprados e também os semens dos touros da fazenda são utilizados.

Martinho informa que as despesas são altas, principalmente com a FIV. Mas é um bom investimento já que trabalham com a fabricação de boas matrizes. Eles vendem os animais nos leilões feitos por eles, que acontecem uma vez ao ano.

O touro Hebreu da Santa Edwiges foi aprovado pelo teste de progênie Embrapa/Abcgil. Uma prole do touro ficou durante sete anos sendo estudada para fazer esse teste. Através da medição do PTA (Predicted Transmitting Ability – Habilidade Prevista de Transmissão), que é um valor estimado da genética transmitida por um touro a sua progênie, em 2010 ele alcançou um PTA de 216 e esse ano subiu para 417. Hebreu está em 16º lugar no ranking da Embrapa.


 

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