Ipatinga, 17 de Agosto de 2022
PERSONAGENS

RAIMUNDO ESTEVÃO "Nô"

“ Ipatinga mudou da água para o vinho”


O comerciante Raimundo Estevão, o Nô vê muitos avanços, que também trouxeram impactos sociais para Ipatinga.

O comerciante Raimundo Estevão, o Nô, 65 anos, acompanhou de perto o desenvolvimento de Ipatinga. Ele chegou ao município em 1966, vindo de Dom Silvério, com a mãe e um irmão para tentar a vida. “Minha mãe era sozinha e lutamos com muita dificuldade, eu era arrimo de família”, revela o pioneiro no comércio da cidade. Raimundo Estevão começou a trabalhar sem a mínima estrutura. “Eu trabalhava em um barraco de tábua na avenida 28 de abril. Na época de chuva, minha loja, Casa do Sapateiro, hoje com filiais em Coronel Fabriciano e Timóteo, enchia de água. Naquela época agente tinha que tomar banho nos fundos dos barracos, misturado com outras pessoas. Foi muito difícil nos primeiros anos. Não tínhamos o mínimo de conforto. No geral, a cidade não oferecia nada. Só muito trabalho”, relembrou Raimundo.

Quando mudou-se para a região Raimundo comprou uma casa para a mãe no bairro Amaro Lanari, em Coronel Fabriciano, onde reside atualmente. No local, ele afirma que encontra mais sossego e qualidade de vida. “Ipatinga mudou da água para o vinho. É uma cidade muito boa, mas hoje está muito agitada”, comentou.

. CENTRO

Ao comparar a Ipatinga de ontem e hoje, o comerciante diz que o Centro da cidade poderia estar melhor. “Ainda temos ali na antiga Rua do Buraco um problema sério, pouca coisa mudou. O local virou referência ruim, com tráfico de drogas. Assim como aquela área grande da estação Pouso de Água Limpa, da Maria Fumaça. Aquelas famílias deveriam ser retiradas dali e acomodadas em um lugar melhor. Tem muita gente trabalhadora, meninas novas ali. Aquela área merecia mais investimentos. O Centro ficou até hoje com muita coisa do passado impregnada”, criticou Raimundo Estevão. Do ponto de vista do desenvolvimento, o comerciante vê muitos avanços, que também trouxeram impactos sociais. “A população aumentou e com isso a violência também. Os comerciantes pequenos sofrem cada vez mais com a chegada das grandes redes. Está quase impossível de sobreviver. Hoje só Deus para ajudar e muita garra”, afirma o comerciante.

Fonte: Jornal O Classivale - Maio de 2012




 

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