Ipatinga, 28 de Fevereiro de 2021
PERSONAGENS

CARLITO GERMANO DE MORAES

Homenagem a um companheiro sobrevivente do “Massacre”


Carlito Germano de Moraes

Carlito Germano de Moraes, filho de Luís Germano de Moraes e Alice Ferreira de Moraes, nasceu em 22 de junho de 1923 na cidade de Bicas - MG. Foi ainda jovem para a cidade de Teixeiras - MG, onde se estabeleceu como comerciante e se casou com Rosa Schittini de Moraes. O casal teve cinco filhos.

. Usiminas – o sonho de uma vida melhor

Em 1961, na pequena cidade de Teixeiras, correu um boato que uma grande empresa chamada Usiminas estava recrutando pessoal para trabalhar. Carlito e vários conterrâneos empoleiraram-se em uma carroceria de caminhão e seguiram para aquela cidade até então desconhecida. Levava na bagagem um pouco de roupa, um pouco de dinheiro, muita esperança e um grande sonho: trabalhar, ganhar dinheiro, a fim de que um dia pudesse voltar para Teixeiras.

. Uma parada “difícil” em Timóteo

No princípio, ainda desempregado, Carlito teve que passar as noites em um quartinho de fundos do restaurante do Kidu, no bairro do Horto. Em 1963, já empregado na Usiminas, para evitar continuar longe da família e, até então, sem conseguir uma casa em Ipatinga, trouxe a mulher e os filhos para morar em Timóteo.

Foi uma época muito difícil, porque a casa não tinha quase nenhuma condição de moradia e a água era buscada por mim, em latas, numa fazenda próxima. Para trabalhar em Ipatinga, Carlito acordava às 5h da manhã e pegava carona de Timóteo para Ipatinga no caminhão que transportava ossos.

. Uma única TV e comunicação por alto-falante

Em Timóteo só existia uma televisão em preto e branco na casa de uma família, de cujo nome não me lembro. Às tardes, várias pessoas se acumulavam à porta dessa casa, para ver a programação da TV Tupi.

A comunicação com a população local era feita por um alto-falante instalado na Igreja-Matriz do centro de Timóteo, cujo pároco era o jovem padre Olal. Pelo alto-falante, ouvíamos as notícias e os programas de rádio da época.

. O alto-falante divulga o “Massacre de Ipatinga”

Ainda em 1963, Carlito teve que driblar a morte quando do “Massacre de Ipatinga”. Ele trabalhava no antigo almoxarifado da Usiminas, ponto principal dos acontecimentos daquele dia, no local onde está hoje a Usimec.

Foi deste alto-falante, no dia 7 de outubro, que eu, na época com onze anos, pude escutar a notícia do “Massacre de Ipatinga” através da Rádio Inconfidência de Belo Horizonte.

Eu nunca tinha vindo a Ipatinga; nem mesmo tinha noção da distância que a cidade ficava de Timóteo. Só sei que, quando ouvi a notícia, lembrei que meu pai estava lá. Na mesma hora, sem mesmo avisar à minha mãe, parti a pé do centro de Timóteo rumo a Ipatinga, para buscá-lo.

Andei muito, não sei por quanto tempo. Ipatinga nunca chegava... Porém, com todo o cansaço, só tinha um pensamento: tirar meu pai de lá.

Na reta, onde é hoje a Av. Monsenhor Rafael, no bairro Timirim, um ônibus vindo de Ipatinga parou no meio do caminho. Estranhei que, de dentro dele, várias pessoas gritaram o meu nome. A porta abriu-se e meu pai desceu, com a camisa toda rasgada e todo sujo. Naquele momento, mais tranquilo, entrei no ônibus e voltamos para casa.

. A mudança para Ipatinga

No final daquele mesmo ano conseguimos uma casa no bairro do Cariru e para lá mudamos.

Carlito trabalhou vinte e dois anos na Usiminas, sob a chapa de identificação nº 4299, até quando se aposentou. Infelizmente, veio a falecer no dia 27 de outubro de 1985, às 20h30min, no Hospital Márcio Cunha. Perdi meu melhor amigo...!

Fonte: Fonte: Coluna “IPATINGA Cidade Jardim - 50 ANOS” – Diário do Aço – 29 de Novembro de 2013




 

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