Ipatinga, 2 de Março de 2021
PERSONAGENS

JOSÉ EDÉLCIO DRUMOND ALVES



José Edélcio Drumond Alves

Filho de Raimundo Anício Drumond Alves e Ita Drumond Ataíde. Casado com Sandra Miaria Ulhoa Drumond Alves, pai de dois filhos: Cynthia Miria Ulhoa Drumond Alves e Edilar Anício Ulhoa Drumond Alves.

“Nasci em Hematita, um distrito de Antônio Dias, no dia 03 de julho de 1944. Lá, vivi três anos e alguns meses quando fomos para Jaguaraçu. Vim para Ipatinga em 1953.

Meu pai era empreiteiro da Belgo Mineira, lá em Jaguaraçu, quando foi acometido de um problema de vesícula e consequentemente, proibido de andar a cavalo que era a condução necessária para quem trabalhava na extração do carvão. Com isso, ele foi buscar alternativa para que pudesse continuar trabalhando.

Foi conhecer a usina de Salto Grande. Passando por Ipatinga, ele parou no bar do Hely Valadares, onde era a parada do ônibus. O sr. Hely ofereceu o bar para ele e ali mesmo fechou negócio e voltou a Jaguaraçu para buscar a família.

Ipatinga era uma Vila, porque aqui moravam os trabalhadores que faziam carvão para Jair Gonçalves e José Anatólio Barbosa, ambos empreiteiros da Belgo.

Fomos morar em uma casa que não tinha água, que era buscada em uma biquinha. Tínhamos que subir o morro carregando as latas na cabeça. Meu pai fez uma cisterna e colocou bomba elétrica. Posteriormente, ele construiu nossa casa nova, que tinha os arcos frontais semelhantes aos do Palácio da Alvorada em Brasília, essa casa foi inaugurada em 1960. Ele foi o maior vendedor de cachaça de Ipatinga. Lá, em casa, tinha um quarto que era o depósito de cachaça. As garrafas ficavam empilhadas em volta das paredes e no meio. Quando chegava o fim de semana os carvoeiros vinham, bebiam e levavam o resto. Quem fornecia a cachaça era o Selim (Síria) e o Expedito Anício lá do Paraíso (Deliciosa) e o Laurindo, de Belo Oriente, fazia uma cachaça chamada Galo.

Nós tomávamos banho no Ribeirão Ipanema que passava nos fundos de nossa casa. Chegava em casa a mãe riscava o braço da gente, se deixava marca era porco.

. A vida escolar

Ipatinga não tinha o curso primário, tinha só até a terceira série. Já cheguei avançado para a escola. Tinha a Dona Maria Antonieta, Maria do Gandú, que foi a professora. Era todo mundo junto na mesma sala: 1º, 2º e 3º ano. A escola que era a casa da Dona Maria Antonieta ficava onde é hoje a Divaço na Avenida Cláudio Moura, onde depois funcionou a cadeia velha. Tínhamos que passar no meio do mato para ir à escola.

Fiquei um ano estudando em Ipatinga, depois, fui para um internato em Governador Valadares completar o curso primário. Fiquei um ano e meio lá, porque o Colégio Ibituruna não havia sido reconhecido.

Vim completar o curso primário em Santana do Paraíso. Lá, a diretora era a Dona Lilá e minha professora era a Dona Maria Teles Macedo, esposa do sr. Manoel, encarregado da Belgo Mineira. Acabado o primário, fui fazer admissão ao ginásio no seminário em Mariana, onde fiquei por um ano. Fui para Ponte Nova onde estudei no Colégio Salesianos. Fiz o ginásio e fui para Belo Horizonte onde fiz o Colégio Universitário. Era um colégio de tempo integral. Morava fora, mas passava o dia inteiro lá. Esse curso integral foi uma invenção do então reitor Aluízio Pimenta. Sou da época em que estudava latim, inglês, francês e desenho junto com as outras matérias normais. Passei no vestibular de direito e de jornalismo.

Com a construção da usina hidrelétrica de Salto Grande, o movimento na Vila aumentou. O pessoal que trabalhava na construção da usina de Paulo Afonso, na Bahia, com o término da obra, deslocou para cá. Em frente à atual rodoviária tinha uma casa de rádio e escritório da construtora da Cemig, onde ficava o gerente Sr. Tassara que cuidava do desembarque e acondicionamento do material que chegava no trem para a construção da barragem de Salto Grande. O material era estocado em um grande galpão que posteriormente eram levados no caminhão FNM, para a usina. Aqui era o entreposto do pessoal que chegava de trem para esperar o ônibus ou os caminhões que os levariam até Salto Grande, de manhã, chegava o trem cheio de gente, desciam, ficavam rodando por ai, às vezes dormiam por aqui mesmo porque não tinha condução para levá-los para a usina.

Quando acabou a construção de Salto Grande, houve um processo muito grande de crescimento em Ipatinga porque muitas das pessoas que trabalharam lá foram construir uma nova usina na divisa de Minas Gerais com São Paulo mas, várias famílias se deslocaram para cá, como por exemplo o Sr. José Calixto que veio e montou um bar de tábua com uma sinuca, um homem muito bom, tanto ele como Dona Bernardina.

A Vila Ipatinga tinha início no atual encontro da Avenida Vinte e Oito de Abril com Rua Belo Horizonte e ia até a atual Rua Ponte Nova, onde ficava a igreja católica. Eram umas casas salpicadas na então Rua do Comércio que no final, do lado esquerdo, descia para o juá, e do lado direito atravessava uma pinguela sobre o Ribeirão Ipanema.

. A geografia da cidade

Geograficamente, onde fica hoje a esquina da Rua Barbacena com a Avenida João Valentim Pascoal, terminava o Distrito de Ipatinga. Depois, tinha uma área plantada de eucalipto e uma estradinha curta, de mais ou menos um quilômetro, que desembocava em um “retão” rumo a Coronel Fabriciano. A reta ia do centro até o bairro Horto e atingia a metade da área da construção da usina. A Usiminas adquiriu as terras da Belgo Mineira e aí fez a cerca.

. A criação do jornal “O Ipatinga”

“O Ipatinga” foi criado com a única finalidade de ajudar no processo de emancipação de Ipatinga. Na época, chamei o Walter Salles que por razões de maçonaria chamou o então tenente José Francisco de Oliveira, o Sílvio Gonçalves e o Arcanjo Pascoal.

Esse jornal constituiu uma peça para provar que a cidade já tinha um ‘Q’ de cultura. Porém, só circulou em duas edições em razão da inviabilidade econômico-administrativa. Fui para Belo Horizonte e para fazer o jornal gastava-se um dia para ir a Valadares levando a matéria, outro para revisar, mais outro para levar matéria para imprimir e por fim para buscá-lo depois de pronto.

. O gago da peça

Além do jornal, naquela época Ipatinga já tinha um grupo teatral do qual a Dona Maria do Gandú era a responsável. Funcionava na escola e depois foi armado um palco na Rua São João Del Rei. A primeira peça teatral de Ipatinga chamou-se “Josefa na Justiça”. Eu era um dos atores junto com João Cipriano, Silvio Pascoal, José Orozimbo e outros. O pai da Dona Maria do Gandú era autor de peças teatrais e diretor de teatro em Ferros. Também tínhamos o grupo de serestas do qual fazia parte o Zito Barbeiro e o Zé Davi que era gerente da Loja Soberana.

Quando eu participei do teatro tinha de nove para dez anos de idade e fiz o papel de um gago.

Era a diversão da Vila junto com os circos, parques e touradas que para cá vinham além do futebol aos domingos.

. O fechamento da estação ferroviária da Rua Belo Horizonte

A hoje “Estação memória” foi desativada porque a tendência da ferrovia era acompanhar o leito do Rio Piracicaba, mas quando chegava em Ipatinga ela entrava para dentro da vila e com isso dava uma grande volta onde passava no pontilhão de ferro, passava pela estação e voltava a seu percurso normal seguindo para Coronel Fabriciano. O fechamento da estação foi uma medida de economia. O trem passou a parar na estação construída mais ou menos em frente ao posto de gasolina da hoje Av. Cláudio Moura e seguia reto para nova parada na estação de Nossa Senhora no bairro Horto e Dalí, seguia para Coronel Fabriciano.

Houve uma época que a Vila foi crescendo. Faço distinção de alojamento de carvoaria, a vila que virou distrito e o distrito que virou cidade.

A política era feia, a região tinha um deputado chamado Sinval Siqueira, Rufino da Silva Neto, Raimundo Alves Carvalho, um grande prefeito de Coronel Fabriciano que colocou a cidade num patamar de bem administrado e foi um dos grandes prefeitos da cidade naquela época, mas eram petebistas. Eles se uniram e fizeram o projeto de criação do distrito. A passagem de Ipatinga para distrito foi conseguida por Oswaldo Piero Seti que foi votado aqui.

Houve um movimento político para derrubar o PTB, do Ciro. Nessa época foram candidatos a vereador Raimundo Anício, João Cipriano, Jair Gonçalves e, o pai foi o mais votado deles. Nisso, já estava surgindo a ideia de transformar o distrito de Ipatinga em cidade.

. O processo para a emancipação

O primeiro realce nesse sentido foi a união dos políticos locais no projeto da criação do distrito. Haviam dois partidos fortes: o PTB e a UDN. Naquele momento eles juntaram em um mesmo objetivo. Jair Gonçalves, Raimundo Nonato, José Anatólio, João Cipriano, José Drumond, Raimundo Anício e José Orozimbo.

Foi feita uma comissão com apoio muito forte, mas discreto da Usiminas através do Dr. Gil Guatimosim e do Dr. João Cláudio Teixeira de Salles e aí foi constituída a primeira comissão pró-emancipação. A reunião foi na casa da Dona Bizuca e estavam presentes: Raimundo Anício, Anatólio Barbosa, José Carvalho, José Anatólio Barbosa, João Cláudio e José Drumond.

. A vaidade é um negócio muito perigoso na história

O deputado Geraldo Quintão foi o principal responsável pela emancipação da Cidade como também da criação da Comarca. O Dr. Edésio Fernandes que era o presidente do Tribunal falou muito claro para todo mundo quando da nossa visita ao Tribunal para pedir a Comarca: “vou atender um pedido do meu fraternal amigo Geraldo Quintão”.

Geraldo Quintão acolheu a primeira comissão pró-emancipação. Como houve o veto teve a segunda comissão.

Houve uma sábia intervenção, que pouca gente sabe. Quando criaram a segunda comissão que vamos chamar de comissão do PSD. Eles foram atrás do Padre Pedro Vidigal e do Geraldo Magalhães e tentaram falar com o governador.

O governador que era da UDN atendia os udenistas. Através do Geraldo Quintão, a porta do palácio estava a qualquer hora.

Num determinado momento o Geraldo Quintão orientou Raimundo Anício, José Anatólio e Jair Gonçalves para que deixasse a comissão somar com eles. Com isso, na Assembleia legislativa, para derrubar o voto do governador, juntariam os deputados do PSD e da UDN. Isso foi tramado entre Geraldo Quintão e a turma da UDN de Ipatinga sem o conhecimento do pessoal do PSD.

Não adianta falar que Jair Gonçalves e Raimundo Anício eram contra a emancipação de Ipatinga. A peça básica da emancipação foi Geraldo Quintão, deputado da UDN e o instrumento básico para a emancipação foi uma “Moção” aprovada pela Câmara Municipal de Coronel Fabriciano apoiando a emancipação de Ipatinga e Timóteo.

Quando o governador Magalhães Pinto viu essa moção ele autorizou o Geraldo Quintão trabalhar na Assembleia para derrubar o veto.

. Um cidadão de bem

Raimundo Nonato Vieira era um farmacêutico que merece destaque na comunidade. Farmacêutico prático que chegou a Ipatinga corrido porque era udenista de papo amarelo. Brigou com padre Pedro Vidigal em Nova Era e teve que vir para Ipatinga. Aqui, João Valentim Pascoal, que era udenista acolheu o Raimundo Nonato.

Era um homem muito inteligente, competente como farmacêutico prático evitou muitas mortes pela malária e outros motivos. Ele era o que a gente podia chamar de médico, sem ser formado. Ipatinga deve muito a ele. Além disso, ele era um líder político muito bravo, não tinha papa na língua e por isso tinha muitos inimigos políticos.

Fonte: FONTE e mais detalhes sobre a história, causos e pioneiros de Ipatinga, veja a Coletãnea de José Augusto Moraes - "IPATINGA - "Cidade Jardim". 9428-9505




 

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