Ipatinga, 17 de Agosto de 2022
PERSONAGENS

JOÃO VALENTIM PASCOAL



João Valentim Pascoal

João Valentim Pascoal, sua mulher Maria Augusta chegaram a Ipatinga em 1949, oriundos de Alvinópolis (MG), e fixaram residência num barraco de tábuas. Traziam consigo uma já numerosa família de sete filhos: Lurdes (Lurdinha), José Sales, Arcanjo, Antônio de Pádua (Toninho), Sílvio Geraldo (Silvinho), Lucinha e Paulinho. Valentim estabeleceu na rua do Comércio uma das primeiras lojas da cidade: "A Soberana". Derrubou madeira para fazer plantação em algumas áreas da cidade, como o milharal, onde é hoje a estação rodoviária. Muito atuante, também organizava festas de carnaval e noitadas de música.

A família Pascoal estava em Ipatinga havia pouco mais de dois anos quando, em frente à loja "A Soberana", um mascate divulgava sua mercadoria, brincando com as crianças que o apreciavam fazendo pequenas mágicas.

Subitamente apareceram o cabo José Monção e Homero, o então escrivão do crime, de Coronel Fabriciano.

O policial perguntou ao vendedor se ele tinha licença para fazer o que estava fazendo. Ele respondeu que sim e começou a mexer em seus pertences, como que a procurar alguma coisa. O militar não esperou. Covardemente, bateu com o cabo de sua arma na boca do rapaz e prosseguiu com as agressões físicas, ameaçando puxar o gatilho – o que intimidou os que lá estavam. Depois de machucar bastante o vendedor, ordenou que ele sumisse dali com seus pertences.

João Valentim e um grupo de pessoas, em um caminhão, levaram o ferido ao Hospital Siderúrgica e fizeram uma denúncia ao prefeito eleito em Coronel Fabriciano.

O prefeito argumentou que nada podia fazer, porque ainda não tinha sido empossado, e aconselhou: "Voltem para casa e procurem se prevenir, aquele homem é perigoso".

O caminhão já funcionava quando dois de seus ocupantes resolveram descer para comprar cigarros, e nesse momento chegou o cabo Monção.

O militar mandou que Valentim descesse do caminhão e atingiu-o com um violento murro, reforçado por um soco-inglês, arrebentando uma veia de seu pescoço, o que fatalmente o levaria a óbito. Quando ele tentou subir no caminhão, recebeu um tiro pelas costas.

Com apenas 34 anos de idade, João Valentim Pascoal foi covardemente assassinado por um policial.

O PREÇO PELA DEFESA DA COMUNIDADE

Todos já estavam determinados a voltar para Ipatinga. O caminhão já funcionava, quando dois de seus ocupantes resolveram descer para comprar cigarros. Na volta, encontraram o cabo Josué Monção. Ele estava indo a missa com a esposa e para lá se foi, quando foi informado pelo Zé Marinho que os ipatinguenses encontravam-se em Coronel Fabriciano para prejudicá-lo. O cabo retornou-se ao local e mandou que João Valentim descesse do caminhão e, em ato contínuo, atingiu-o com um violento murro, reforçado por um sôco inglês, arrebentando uma veia de seu pescoço - o que fatalmente, o teria matado. Quando ele tentou subir no caminhão, recebeu um tiro pelas costas. O cabo ainda deu outros tiros para o ar e afstou-se.

AV. 28 DE ABRIL QUASE FOI AV. JOÃO VALENTIM PASCOAL

João Valentim Pascoal foi homenageado com a perpetuação de seu nome na principal via de trânsito que corta o centro de Ipatinga. A Avenida João Valentim Pascoal, tão tradicional quanto à Avenida 28 de Abril (que assinala equivocadamente com um dia de antecedência, a data de emancipação do município), começa no chamado Contigente – a região do centro assim denominada por ter abrigado em outros tempos um quartel de polícia militar-, e que passando em frente a prefeitura e termina no encontro com a BR-458.

A denominação veio de um pedido feito pelo amigo de Valentim, João Fernandes Gonçalves, o João Padre ao então e também seu amigo, vereador Edgard Boy Rossi. João Padre, também já falecido e que depois viria a se casar com a viúva do pioneiro, Maria Augusta Pascoal, ou Maria Augusta Gonçalves, tendo com ela mais três filhos- Helvécio, Helton e Herivelton.

Em 1968, o entao vereador Edgard Boy Rossi apresentou a Câmara o projeto de 223/68, que viria a se transformar na Lei nº 165, 10 de julho de 1968. Antes desta homenagem, houve uma tentativa de que a então Rua do Comércio se chamasse Rua João Valentim. Mas a idéia não vingou e ela passou a se chamar Rua Louis Ench, por pressões de políticos da cidade de Coronel Fabriciano. Só depois é que ela tornou-se a conhecida Av. 28 de Abril.

1997: A VIÚVA DE VALENTIM LEMBRA A DATA DO ASSASSINATO

Uma das pessoas que mais sofreu com a morte de João Valentim Pascoal foi sem dúvida nenhuma a esposa Maria Augusta Pascoal, ou Maria Augusta Gonçalves, nome que recebeu após seu Segundo casamento com João Fernandes Gonçalves (o João Padre), em 28 de julho de 1956.

Dona Maria chegou com Valentim Pascoal a Ipatinga em 1949, passando um suplício para criar os sete filhos que tivera em seu primeiro casamento. Em 1979, ao ser entrevistada pelo extinto jornal "A Tribuna", dona Maria falou a respeito da vida de João Valentim Pascoal. Ela recordou os acontecimentos que levaram ao fim trágico de João Valentim como se fosse naquela data de 1997, apesar da idade avançada. Ela lembra que viu pela janela de sua casa todo o desenrolar da confusão do cabo Monção com um mascate, das crianças assustadas com a violência exercida contra o ambulante e a chegada do marido que estivera caçando, indignando-se com o ocorrido.

"Quando estava preparando o jantar, fiquei sabendo que João Valentim arrumara um caminhão emprestado que pertencia a Jair Gonçalves para levar o mascate para ser medicado em Coronel Fabriciano. Tive um pressentimento ruim e pedi para os meus filhos que não deixassem o pai ir junto com a comitiva".

Após algumas horas, veio a notícia de que João Valentim havia sido esfaqueado. Assustada, Maria Augusta pegou o filho Paulinho Pascoal, então com dois anos de idade, e foi com ele nos braços até Fabriciano. Ao chegar, ficou sabendo que João havia tomado um tiro do cabo Monção e morrido logo em seguida.

O corpo de João Valentim Pascoal foi enterrado em Fabriciano, a pedido do irmão José Valentim Pascoal.

Maria Augusta recordava ainda que na segunda-feira, um dia após o assassinato, formou-se um aglomerado de amigos e pessoas descontentes com a atitude covarde e desumana do cabo. O grupo resolvera parar o trem em busca de Monção. Nesta época o trem passava onde é hoje a Estação Memória (esquina das ruas Belo Horizonte e Montes Claros). Os revoltosos tinham notícia de que o cabo fugiria neste trem, e a intenção deles era nada menos que linchar o antes temido cabo José Monção.

Ao relembrar também do outro falecido marido, João Padre, dona Maria Augusta conta que sente muitas saudades dele. Com lágrimas nos olhos, lembrava: “Foi ele quem me ajudou a criar os meus sete filhos do outro casamento, como se fossem deles.”

Com João Fernandes Gonçalves, Maria Augusta teve mais três filhos: Helvécio Policarpo Gonçalves, Elivelton Braz Gonçalves e Heliton Afonso Gonçalves. João Padre veio a falecer em 1997 de enfisema pulmonar.

Fonte: Coluna “IPATINGA Cidade Jardim - 50 ANOS” – Diário do Aço – 7 de Novembro de 2013, Jornal A Tribuna e Coletãnea de - "IPATINGA - "Cidade Jardim", de autoria do historiador José Augusto Moraes.


 

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