Ipatinga, 17 de Outubro de 2018
PERSONAGENS

SEBASTIÃO TOMÉ DA SILVA

Morto aos 20 anos, Sebastião mudou-se para Ipatinga em busca de melhores condições de vida, pois era arrimo de família, foi assassinado pela PM no "Massacre de Ipatinga"


Sebastião Tomé da Silva

IPATINGA - Nasceu em Guanhães-MG, dia 20 de agosto de 1943. Filho de José Tomé de Araújo e Geralda Cristina da Silva.

Morto aos 20 anos, Sebastião mudou-se para Ipatinga em busca de melhores condições de vida, pois era arrimo de família. Assim que conseguiu um emprego na Usiminas como ajudante, buscou a mãe, viúva, e seus seis irmãos menores. Como fazia todos os dias, chegou para trabalhar e foi impedido de entrar nas dependências da empresa. Resolveu, então, ficar nas imediações da usina até que a chefia resolvesse, por meio de negociações, a volta ao trabalho. Enquanto esperava, foi atingido por uma bala no crânio, morrendo no local. O legista Hercílio Costa Lage definiu como causa mortis “lesões encefálicas, dando ferimento penetrante no crânio por projétil de arma de fogo”.

MASSACRE DE IPATINGA 1963

O Massacre de Ipatinga foi um evento trágico acontecido no então distrito de Ipatinga, em Coronel Fabriciano, Minas Gerais, no dia 7 de outubro de 1963. Considerado por alguns estudiosos como uma prévia do que seria a exibição do poder militar que tomaria posse do governo brasileiro no ano seguinte, o fato consistiu em um atrito entre militares e funcionários da Usiminas, revoltados com as más condições de trabalho e a humilhação que sofriam ao serem revistados antes de entrar e sair da empresa para sua jornada de trabalho.

A situação de tensão culminou com a polícia militar responsável pela vigilância patrimonial da Usiminas, então sob ordens do governador mineiro Magalhães Pinto, que mais tarde participaria com afinco da ditadura, atirando, inclusive com metralhadoras, contra os funcionários desarmados que se manifestavam na portaria da empresa resultando oficialmente em 8 mortos (inclusive uma criança no colo de sua mãe) e 80 feridos.

VEJA mais sobre o "MASSACRE DE IPATINGA"

Os números sempre foram contestados pelas testemunhas presentes que tiveram a verdadeira noção da tragédia ocorrida. Daniel Miranda Soares narra em seu artigo no Cadernos do CEAS n. 64 de nov/dez de 1979 "O Massacre de Ipatinga" que foram mais de 3 mil feridos e 33 teriam morrido até o dia seguinte em decorrência dos ferimentos. O jornal "Em Tempo" apresentou depoimentos de que seriam mais de 80 mortos. O padre Abdala Jorge do distrito de Timóteo, então parte da mesma cidade, afirma que, apesar de não poder precisar o número de mortos, contou pessoalmente 11 cadáveres no Hospital Nossa Senhora do Carmo (atual Hospital Unimed, em Coronel Fabriciano) para onde foram levadas as vítimas.

Na noite anterior ao dia 7 os trabalhadores sairam do turno da noite e foram para o alojamento que ficava no bairro Santa Mônica, logo após chegaram alguns policiais e começaram a atirar matando um dos moradores do alojamento. No dia 7 de manhã os trabalhadores saiam da usina e os vigilantes começaram a revistar suas marmitas, logo depois, um policial em cima de um caminhão e com uma metralhadora giratória começou a atirar por todos os lados.

O massacre foi fotografado por José Isabel Nascimento, fotógrafo amador, que foi um dos únicos a fotografar o crime. Porém, foi atingido por vários tiros da Polícia Militar durante esse episódio e faleceu dez dias depois na Casa de Saúde Santa Terezinha.

VÍDEO:. Rossi do Nascimento era filho do operário e fotógrafo José Isabel do Nascimento, morto no massacre em 1963. É de José Isabel a foto utilizada por diversas publicações que mostra um policial com uma metralhadora em cima de um caminhão e outras mais. José Isabel sobreviveu aos ferimentos por 10 dias, mas subitamente faleceu. Um amigo de seu pai acredita em queima de arquivo.

Rossi do Nascimento era filho do operário e fotógrafo José Isabel do Nascimento, morto no massacre em 1963. É de José...

Posted by Eu Amo Ipatinga on Terça, 7 de julho de 2015

A Câmara Municipal de Ipatinga realizou em 2 de outubro de 2007 Audiência Pública sobre "A memória do incidente conhecido como Massacre de Ipatinga, ocorrido em 7 de outubro de 1963".

Em 2009, o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, IHG (em conjunto com o Movimento Anarquista Libertário e as Brigadas Populares), realizou um evento em memória aos trabalhadores assassinados no massacre, que levou o nome de "Velada Libertária do IHG".

- O livro Direito à Verdade e à Memória, publicado pelo Ministério da Justiça, registra o seguinte sobre

"Cinco casos do Massacre de Ipatinga"

"Na manhã de 7 de outubro de 1963, rajadas de metralhadoras foram disparadas contra mais de cinco mil operários que protestavam contra as condições indignas a que estavam submetidos na siderúrgica Usiminas, inaugurada um ano antes, em Ipatinga, Minas Gerais.

Por volta das das 10 horas, uma pedra foi lançada em direção à coluna de policiais militares chamados para sufocar a greve, ferindo um dos soldados. A PM abriu fogo contra a multidão de trabalhadores, metalúrgicos da empresa e operários da construção civil. Na versão oficial, o saldo foi de 78 feridos e oito mortos, entre eles um bebê. Durante o tumulto, os tiros eram desferidos a esmo e atingiram a menina Eliana Martins, de apenas três meses, levada pela mãe para ser vacinada no ambulatório da empresa.

Antes de ter início a construção da Usiminas, no final dos anos 50, Ipatinga era um minúsculo distrito do município de Coronel Fabriciano, com 60 casas e 300 habitantes. Por isso, a construção da siderúrgica foi saudada como sendo a chegada de um verdadeiro Eldorado. A população pulou para 10 mil pessoas, mas o vilarejo não tinha infra-estrutura para suportar essa sobrecarga e a empresa não realizou os necessários investimentos sociais para suprir as carências dos operários. O quadro de penúria era agravado pelas condições salariais oferecidas.

Matéria publicada no jornal Binômio, tablóide independente criado em Belo Horizonte em 1952, conta que os funcionários de baixa hierarquia da Usiminas moravam em alojamentos apertados, revezando-se com os colegas para poder dormir, já que as camas eram compartilhadas. Transporte e alimentação não eram melhores. Viajavam em caminhões sempre lotados e, na comida, tocos de cigarros e baratas eram encontrados com freqüência. Também eram comuns os abusos de autoridade, existindo registro de violências físicas contra os trabalhadores. O protesto ocorreu como manifestação espontânea em resposta às agressões praticadas por vigilantes e policiais contra alguns colegas na noite anterior. Sem o arrimo de uma organização partidária ou sindical, os operários agiram movidos pela indignação e foram metralhados.

Para apreciação na CEMDP, foram encaminhados cinco processos em 2004. Segundo os relatores, a Lei n° 10.875/04 introduziu duas novas possibilidades de indenização, propostas pela própria Comissão Especial, necessárias para complementar os efeitos de pacificação pretendidos pela lei. Uma delas se refere às passeatas e manifestações reprimidas pela polícia durante o período fixado em lei. Para os relatores, não seria possível distinguir vítima de repressão à manifestação que estivesse dela participado ou vítima casual. Os relatores entenderam que não importava saber quem determinou ou como se originou o comportamento da tropa policial militar convocada para manter a ordem e a segurança das pessoas: “a ação ou reação policial de disparar contra uma multidão desarmada não poderia ter outra consequência senão as várias mortes e inúmeros feridos”.

Os cinco processos foram deferidos por unanimidade, conforme relatado a seguir, não sendo apresentados requerimentos relativos à criança de três meses, Eliane Martins, nem aos dois outros mortos relacionados pela direção da empresa: Aides Dias Carvalho, filho de João Dias de Carvalho e Maria Motta, e Gilson Miranda, da empresa EBSE.

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