Ipatinga, 21 de Agosto de 2018
PERSONAGENS

PEDRO MÁRCIO MILANEZ "Ferreirão"

Ferreirão, o ‘Repórter de Peso’. Sempre bem humorado, o ex-atacante do Social, radialista e ex-apresentador de TV, Pedro Márcio Milanez, o "Ferreirão", relembra sua trajetória no futebol e na imprensa esportiva


Pedro Márcio Milanez relembrou seus momentos marcantes no futebol e na imprensa esportiva regional

Carismático, folclórico, popular, sempre de bom humor, emotivo, engraçado. Essas são algumas das principais características do ex-apresentador de TV e radialista Pedro Márcio Milanez, o ‘Ferreirão’, apelido que recebeu ainda jovem, quando atuava como centroavante do Social FC, de Coronel Fabriciano, na década de 1970. Afastado efetivamente da mídia eletrônica desde 2008, Pedrão atualmente é sócio de uma revista veiculada mensalmente na região. Em entrevista exclusiva ao “Jornal Vale do Aço”, o ‘Personagem da Semana’, Pedro Márcio Milanez, relembra sua curta trajetória como atleta e destaca etapas importantes de sua carreira na imprensa esportiva. Repórter das rádios Educadora e Vanguarda nos anos 1980 e criador do extinto programa diário ‘Esporte em Dia’, da TV Cultura, Ferreirão relembra histórias marcantes e engraçadas como repórter e comentarista, e revela que pode voltar à televisão em breve.

JVA – Quem é ‘Pedro Márcio Milanez, o Ferreirão’?

Pedro Márcio Milanez – Sou um fabricianense de 59 anos, pessoa simples, que jogou futebol, se formou em Direito, mas que preferiu a carreira como jornalista esportivo, que me fez conhecer o Brasil e até outros países, acompanhando equipes como Atlético, Cruzeiro, Social, Ipatinga e até a Seleção Brasileira. Sou um cara muito feliz e muito humilde.

JVA – Relembre sua passagem como jogador do Social FC, de Coronel Fabriciano, na década de 1970.

Pedro Márcio Milanez – Foi muito boa. Eu era gordinho, sempre fui. Tenho que lembrar minha passagem no Exército brasileiro em Juiz de Fora, no ano de 1972. No Social, comecei minhas primeiras amizades, vi o que é viver coletivamente, excursionei para jogar em algumas cidades vizinhas, sempre com o comando do falecido José Jacinto, o “Tenente”. Joguei no Saci infantil, juvenil, júnior, até que cheguei ao time principal, onde guardo a recordação de ter vencido o grande Acesita, de jogadores como Alair, Didinho, do goleiro Wilson, por 1 a 0, com gol meu. Eu era um centroavante implacável!

JVA – Qual a origem do apelido Ferreirão?

Pedro Márcio Milanez – Esse apelido me foi dado no campo da Usipa, quando eu atuava ainda no time júnior do Social. Fomos jogar a preliminar de Usipa e América/MG, pelo profissional. Não me lembro quem era o time contra quem jogamos essa preliminar, só sei que fiz um lindo gol de cabeça. Eu era um centroavante estilo “tanque”, forte, parrudo, e guardei esse gol importante que nos deu a vitória. No jogo de fundo, o atacante Ferreira, do América, que veio do Uberlândia, recebeu o passe do Cristóvão e guardou de cabeça também. Depois do jogo, o nosso massagista José das Dores, o “Buchecha”, que continua vivo, começou a me chamar de “Ferreira, Ferreirão”, e o negócio pegou. Mas tive problema em casa com esse apelido. Meus pais não gostavam. Alguns “boleiros” ligavam para a minha casa e perguntavam pelo Ferreirão. Quando minha mãe atendia, ela dizia que não havia ninguém ali com esse nome. Mesmo eu explicando a ela que era meu apelido, ela me repreendia: “Deixa de ser bobo, menino. As pessoas têm que te chamar pelo seu nome...” (risos) E foi assim que surgiu o Ferreirão.

JVA – Descreva a sensação de ter o seu nome ou apelido gritado pela torcida do Social.

Pedro Márcio Milanez – Era fantástico. Eu era jogador de segundo tempo. Nunca gostei de começar os jogos. Uma vez, diante do União, que era a melhor equipe de Ipatinga, o jogo estava muito difícil, empate sem gols, e a torcida do Saci gritou: “Ferreirão, Ferreirão, Ferreirão...” Eu entrei em campo e fiz o gol da vitória. Deus me abençoava muito e, assim, eu fiz muitos gols. Meu negócio era gol. Eu era “matador”.

JVA – Qual o seu gol inesquecível pelo Social?

Pedro Márcio Milanez – Na verdade, são dois gols marcantes. Um foi marcado contra o antigo time da Auxílio Vieira, que tinha grandes jogadores como Cezinha e Pretinho, e eu fui feliz em colocar lá dentro, chovia muito em Fabriciano nesse dia e, de novo, o “matador” compareceu. O outro gol foi contra o Acesita EC, um dos melhores times da região. Todo mundo tinha medo da camisa grená acesitana, e eu fiz um lindo gol, em cima do Alair, em cima do grande beque Tarcísio, e eu tenho um recorte do jornal da época que trazia a seguinte manchete: “Ferreirão quebra invencibilidade de três anos do Acesita.” Isso foi na segunda metade da década de 1970.

JVA – Conte-nos o episódio engraçado que houve entre você e o massagista Buchecha, nos tempos de Social.

Pedro Márcio Milanez – Ele tinha um óleo “milagroso” e eu era reserva, que vestia sempre a camisa número 16, eu adorava a camisa 16. Eu então pedia a ele para massagear minha perna e ele me respondia: “Reserva não tem direito a receber massagem.” Eu ficava bravo demais e entrei em campo, muitas vezes, sem massagem.

JVA – Como foi sua iniciação na imprensa esportiva?

Pedro Márcio Milanez – Eu gostava de ficar brincando, imitando os gritos de gol do saudoso narrador esportivo de rádio, Jota Júnior, na época da Rádio Guarani, de Belo Horizonte. Então, o grande locutor Edmar Moreira me deu uma oportunidade na Rádio Educadora de Coronel Fabriciano em 1979. Estreei como repórter num jogo da Aciaria e, em 1980, trabalhei no Maracanã, na grande final do Campeonato Brasileiro daquele ano, entre Flamengo e Atlético. Aliás, nesse jogo, levei uma placa em homenagem ao Zico. Eu tinha dito a ele que lhe entregaria essa placa na hora da entrada dos times no gramado. Na hora, ele se aproximou, eu disse que era uma homenagem do povo do Vale do Aço a ele e então o Zico recebeu a placa e rapidamente me disse, ao vivo, que estava agradecido pela homenagem do povo de Volta Redonda, no Rio, a capital nacional do aço. Ele entendeu errado. Imediatamente, ele saiu correndo carregando a placa e eu não pude nem esclarecer para ele.

JVA – É verdade que você foi intimidado pelo então treinador Ênio Andrade, durante a transmissão de um jogo em Porto Alegre entre Grêmio e Cruzeiro?

Pedro Márcio Milanez – É verdade. Eu e o saudoso narrador Jonas Conti estávamos pela Rádio Educadora no estádio Olímpico, na primeira metade da década de 1980. O meu cabo de transmissão e retorno só chegava no banco de reservas do Grêmio. De repente, houve um pênalti para o Cruzeiro. O Jonas me perguntou se o juiz acertou e eu disse que sim, que foi mesmo pênalti. O Ênio Andrade, técnico do Grêmio, estava no banco e me ouviu dizer aquilo. Ele veio na minha direção e pisou de chuteira e com muita força no meu pé. Eu não podia reagir, senão, todos os jogadores viriam pra cima de mim. Quando o Cruzeiro marcou o gol, o Jonas Conti me chamou para a descrição do lance e o Ênio Andrade me ouviu descrever e pisou no meu pé mais duas vezes. Ele estava bastante nervoso e eu fiquei muito intimidado.

JVA – Relembre a sua atuação como repórter esportivo de rádio na Copa do Mundo do México, em 1986.

Pedro Márcio Milanez – Aqui, no Vale do Aço, não se falava em cobertura de Copa do Mundo na época. Porém, após a negativa do Telê Santana em levar o Éder Aleixo, que agrediu o lateral Júnior, da seleção do Uruguai, em um amistoso no Recife, o Edvaldo, ponta-esquerda nascido em Ipatinga, do Atlético e do São Paulo, foi convocado, e isso despertou o interesse da mídia regional em cobrir o Mundial de 1986. A Rádio Vanguarda de Ipatinga então me enviou ao México para acompanhar mais o Edvaldo do que a própria Seleção. Fiquei lá por 40 dias e foi uma grande experiência.

JVA – Comente sua viagem a Santiago, ao lado do narrador Nelcy Romão, em 1989, na cobertura do jogo entre Chile e Brasil pelas Eliminatórias.

Pedro Márcio Milanez – Fomos pela Rádio Vanguarda de Ipatinga. Eu vendia os anúncios e ele (Nelcy Romão) era o responsável por adquirir as passagens aéreas. No Chile, fomos hostilizados por militares. Eu fui tentar tirar um retrato perto do palácio e, de repente, tomaram a minha máquina fotográfica. O Nelcy era muito parecido com o Mazinho, lateral direito da Seleção Brasileira. Fomos a um bar bastante movimentado em Santiago e ele, Nelcy Romão, foi confundido com o Mazinho e até chegou a dar autógrafos a alguns chilenos como jogador da Seleção (risos).

JVA – Quem te apelidou na imprensa de ‘Repórter de Peso’?

Pedro Márcio Milanez – Foi o grande narrador esportivo de rádio Diney Monteiro Scaffra, que veio de Campos dos Goytacazes, no Estado do Rio. Eu era pesadão e achei legal o apelido.

JVA – Como foi sua chegada na TV Cultura de Ipatinga?

Pedro Márcio Milanez – Foi em 1990. Eu era um desbravador, porque ninguém acreditava na TV Cultura, que era muito jovem. Fui chamado pelo amigo Washington Feitosa. A TV já tinha muita gente trabalhando lá. Fui fazer um programa diário, o ‘Esporte em Dia’, e, na primeira semana, vendi anúncios para seis patrocinadores. Logo depois, o programa já tinha 20 anunciantes. No início, eu levava a fita para o bairro Santa Mônica, na região do Horto, porque o programa era gravado. Depois, passamos a apresentá-lo ao vivo. Fiquei na TV Cultura até 2008.

JVA – Qual era o diferencial do Esporte em Dia sob o seu comando?

Pedro Márcio Milanez – Eu sempre fui um âncora bastante descontraído e levei o Percy Gonçalves, um grande amigo e um grande conhecedor de futebol, o Josué, que jogou no Flamengo e na Usipa, e também o grande narrador Nelcy Romão, que eram colaboradores. Nós tínhamos que estar sempre em dia com a notícia e nós levávamos a notícia com uma visão sempre bem humorada. Essa semana, uma senhora me parou com os filhos e relembrou o quanto ela gostava daquele programa, e os filhos dela também. Ela relembrou o quadro “Shap-shap”, que era uma sugestão de almoço que nós dávamos no fim do programa, já que o Esporte em Dia era de 13h às 13h30. Quando ela me falou isso, eu fiquei bastante emocionado e não segurei o choro.

JVA – Qual foi o caso mais inusitado vivido por você no Esporte em Dia?

Pedro Márcio Milanez – Foi numa data em que se comemorou o ‘Dia Mundial da Água’. Eu quis homenagear a água e pedi ao nosso fantástico cinegrafista Wilson Fumaça que jogasse uma jarra de água em mim na hora de encerrar o programa. A água estava gelada, era para beber, e eu tive que pagar um microfone de lapela que estava na minha camisa e pifou na hora em que a água foi jogada em mim, mas tudo bem, faz parte.

JVA – Por que você trocou a mídia eletrônica pela mídia impressa?

Pedro Márcio Milanez – Tenho portas abertas em todos os lugares. Deixei a TV quase 19 anos depois. Eu criticava os constantes atrasos de salários do Ipatinga FC no programa e o presidente do clube (Itair Machado), na época, pressionou muito pela minha demissão. Eu não tinha carteira assinada e precisava do tempo de contribuição para me aposentar. Na minha saída, não deixei nenhuma inimizade com os proprietários da TV na época, mas tive que procurar o Tribunal (Justiça do Trabalho), e o Tribunal me deu causa ganha.

JVA – Você tem planos de retornar como apresentador de televisão?

Pedro Márcio Milanez – Sim. Com certeza. Aproveito para revelar que já tenho sinal verde da nova diretoria da TV Cultura para que eu volte. Não quero ficar longe e gostaria muito de voltar para a cobertura esportiva, especialmente na TV Cultura. Em breve eu voltarei.

JVA – Relembre um último caso engraçado seu na imprensa esportiva?

Pedro Márcio Milanez – Recentemente, irradiei dois jogos de futebol como comentarista e repórter por uma emissora evangélica de Ipatinga. No meio da transmissão, soltei um “Nossa Senhora”. Em seguida, minutos depois, veio a ordem da direção, que estava ouvindo a jornada: “Fala ‘Misericórdia’, e não, ‘Nossa Senhora’... Aqui não pode, não!” (risos)

Fonte: http://www.jornalvaledoaco.com.br


 

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